“Víamos ele pelo vidro… queria almoçar em casa. No outro dia estava entubado, usando fraldas”

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Erika Aparecida, moradora de Barueri, no Parque dos Camargos, conta como foi a experiência em ver o pai, o aposentado Pedro Borges, de 70 anos, adoecer por conta do Covid-19

Por Ingrid Miranda

Apesar da orientação de isolamento social, Erika conta que o pai sempre foi teimoso e ‘fugia’ de casa para manter a rotina de passear pela vizinhança e cumprimentar os amigos. Até que no meio do mês de abril o pai começou a apresentar os primeiros sintomas de que estava adoecendo. Quase um mês depois, a moradora do bairro Parque dos Camargos conta como foi devastadora e rápida a ação do covid-19 na família.

Pedro Borges, tem 70 anos e é conhecido como Santista e ‘veio’ no Parque dos Camargos/Foto: Arquivo Pessoal

“Foi numa quarta-feira, 15/4. Ele começou a ter se queixar de uma fraqueza, falou que estava sem apetite e com a boca seca. Nós insistimos para ele comer, mas achávamos que poderia ser um reflexo da dengue, que ele pegou um tempo atrás”.

“No sábado, achávamos que ele tinha melhorado, mas durante a madrugada, já no dia 19/4, o meu pai começou a sentir calafrio e corremos com ele para o hospital”, lembra Erika.

Erika contou que o pai foi levado para o Pronto Socorro do Jardim Silveira, o mais próximo da família. “No PS do Silveira, os médicos o medicaram dizendo ser dengue, mas as plaquetas não estavam tão abaixo para ser comprovado a dengue. Meu pai chegou a voltar para casa ainda no domingo, jogou bola, já estava melhor”.

“O problema mesmo começou na terça-feira, 21/4, a fraqueza voltou, no dia seguinte veio a tosse, e na quinta-feira, 23/4, ele foi internado no Pronto Socorro”. “Mesmo internado, meu pai não entendia o porquê de estar no hospital. Víamos ele pelo vidro, nos mandava beijos e dizia que queria almoçar em casa”, relembra.

“Na sexta-feira, 24/4, meu irmão foi pela manhã visitá-lo e já o encontrou o nosso pai entubado e usando fraldas. Foi um choque. Medo e angústia”. “Por fim, conseguimos uma vaga na UTI do HMB. No sábado, 25/4, o hospital nos ligou dizendo que o estado dele tinha se agravado pela idade. Já na terça-feira, 28/4, ele testou positivo para o novo coronavírus, que aqui chamamos de inimigo invisível”.

“Nós da família não fazemos ideia de como ele pode ter contraído o coronavírus. Ele não parava dentro de casa, todos em isolamento, mas ele fugia. Ele passava para dar ‘oi’ aos atendentes de comércio aqui na região. Eu chegava a receber fotos das meninas da lotérica quando ele ia até o local. Eu e minha irmã tínhamos que sair correndo para trazer ele de volta para casa”, desabafa.

“Ele é conhecido como Santista ou como ‘veio’, e as pessoas o conhecem justamente pelo seu jeito falante e de ajudar todo mundo. Ele ajuda na farmácia do Miro, no sacolão e na adega do bairro. Até costuma comprar lanche para as meninas da lotérica quase todos os dias”

Além de Erika, entrevistada pelo BnR, Pedro tem outros dois filhos, Patrícia e Clóvis

“Apesar do grande susto, fizemos muitas orações, até que no dia 30/4, ele foi tirado da UTI e vem respondendo muito bem ao fim do tratamento”

Desde o início do mês de maio, Pedro Borges, de 70 anos, está curado do novo coronavírus. “Recebemos uma ligação do médico que nos informou da cura do meu pai. Nós da família ainda estamos em isolamento que acaba essa semana. Já quanto ao meu pai, os médicos estão tirando a oxigenação aos poucos, e até o fim da semana, ele receberá alta”.

De acordo com a família, Pedro, que além de Erika tem mais dois filhos, Patrícia e Clóvis, mora em Barueri há mais de 37 anos. Ele é descrito como muito querido e conhecido no bairro Parque dos Camargos, principalmente na região da avenida Zélia, local onde há muito comércio em Barueri. “Agora estamos todos bem, sabendo que o nosso pai não corre mais risco algum”, termina Erika em entrevista ao Barueri na Rede.

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