Versão de homem que matou ex revolta família da vítima

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Segundo irmãos, ex-companheiro mente para colocar a culpa do crime na vítima e alegar legítima defesa

A versão contada pelo açougueiro José Carlos de França, de 41 anos, que em fevereiro matou a golpes de arma branca sua ex-namorada, Anna Rodrigues de Freitas, de 30 anos, revoltou os familiares da vítima. Segundo eles, José Carlos tenta ao mesmo tempo responsabilizar Anna pelo crime e afirmar que agiu em legítima defesa. “Ele inverteu a história para se livrar, mas nós temos como provar que está mentindo”, afirma Paulo Rodrigues, irmão da vítima.

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Anna foi surpreendida quando chegava em casa da igreja

Na tarde daquele domingo, 19/2, José Carlos aproveitou-se de que Anna havia saído para ir à igreja, entrou na residência dela e ficou à espera. Eles tinham vivido juntos por cerca de dois anos e fazia seis meses que tinham se separado. Segundo irmãos da moça, a separação ocorreu por causa do gênio agressivo do companheiro.

Quando Anna voltou para casa, acompanhada da filha de onze anos, deparou-se com José. Houve uma discussão e ele acabou desferindo quatro golpes de faca ou canivete nela, que morreu poucos instantes depois.

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Desde então, o açougueiro esteve foragido da polícia, até que no dia 25/6, mais de quatro meses após o crime, se apresentou no 1º Distrito Policial, no Jardim Silveira. José contou que nesse tempo viveu em casas de amigos e até na Cracolândia, em São Paulo, e resolveu se entregar por que já não tinha onde dormir nem o que comer.

Em seu depoimento à polícia, ele afirmou que após a separação vinha sendo incomodado por Anna, que queria reatar o relacionamento. Disse que ela o importunava e até o ofendia em público. Por isso, segundo contou, foi até a casa da ex-companheira naquele domingo para pedir que o deixasse em paz.

Sobre o crime, relatou uma versão diferente da conhecida. Afirmou que ela o atacou com um canivete e depois com uma faca e foi tentando defender-se que a atingiu com quatro golpes. Um deles, no coração, matou Anna quase que instantaneamente. José disse ainda que entrou na casa usando uma chave que ficava sob um tapete junto à porta de entrada e negou ter afrouxado as lâmpadas para que a residência ficasse no escuro.

Veja a versão de José Carlos: Homem que matou ex-namorada se entrega à polícia

Essa versão causou indignação entre os familiares da vítima. Irmãos dela afirmam que José inverteu a história para se safar. Paulo, que chegou a morar com o casal, conta que a irmã pôs o açougueiro para fora de casa justamente pelo comportamento agressivo dele. Também relata que, depois da separação, ele vivia importunando a ex-companheira para que reatassem.

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José Carlos disse que chegou a viver na Cracolândia 

No celular dela, que está com a polícia, têm várias mensagens dele pedindo para voltar e outras com ameaças. Ela sempre respondia para que ele fosse viver a vida dele, porque não haveria volta”, conta o irmão. “No dia do crime, poucas horas antes, ele mandou um recado pelo telefone dizendo que ela não se relacionaria com ninguém nunca mais.” Para Paulo, essa ameaça ocorreu porque José Carlos soube que na véspera Anna foi vista com um rapaz numa sorveteria.

Marcos, outro irmão de Anna, desmente a versão do açougueiro sob a cena do crime. Ele usa um vídeo das câmeras de segurança de uma padaria vizinha à casa dela para mostrar que, do momento em que ela entra na casa até o instante em que ele sai correndo, passaram menos de dois minutos. “Foi tudo premeditado, ele foi lá para matá-la, esperou minha irmã entrar em casa, cometeu o crime e saiu, não deu tempo de ter havido nenhuma conversa como ele diz”, explica Marcos. “E as lâmpadas estavam soltas, sim, o que prova que foi tudo premeditado.”

O vídeo da padaria mostra Anna saindo com a filha para a igreja às 19h01. Depois de 41 minutos, José Carlos chega, abre o portão do quintal e entra. Passaram-se mais 40 minutos com o homem dentro da casa até Anna voltar. Ela passa pelo portão às 20h22 e dois minutos depois José Carlos sai correndo pela rua.

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