Sem aviso, prefeitura autoriza reajuste de tarifa do ônibus

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Valor da passagem sobe de R$ 4,20 para R$ 4,35. Mais uma vez, correção é superior à inflação

O barueriense recebeu uma surpresa negativa no fim de semana. Sem explicação nem aviso prévio, a prefeitura autorizou a Benfica a reajustar a passagem de ônibus para R$ 4,35 a partir deste domingo, 7/1. O aumento corresponde a 3,57%, superior à inflação registrada desde a correção anterior, de 2,95%, aplicada em janeiro de 2017.

O reajuste do valor da tarifa foi ocultado pela prefeitura e não houve nenhum tipo de divulgação para a população. O decreto do prefeito Rubens Furlan autorizando o aumento foi assinado na quinta-feira, 4/1, e publicado no Jornal Oficial do município de 6/1 apenas no setor de editais. Não foi publicado nenhum texto ou anúncio informando os usuários do sistema de transporte coletivo. Os passageiros conheceram o novo valor apenas a partir de sábado, quando os ônibus circularam com cartazes indicando o reajuste para o dia seguinte.

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Durante as duas últimas semanas o Barueri na Rede tentou obter o novo valor e a data que entraria em vigor, mas a prefeitura se negou a divulgar as informações.

Sempre acima da inflação

O índice de reajuste das passagens esse ano, de 3,57%, como vem se repetindo, foi superior à inflação oficial medida pelo IPCA (2,95%). No ano passado, a tarifa já havia subido 10,5% contra uma inflação de 6,29%. No acumulado dos dois últimos anos, a inflação cresceu 9,42% e o transporte público em Barueri aumentou 14.5%, o que o mantém entre os mais caros do Brasil.

Em Barueri não há uma planilha de custos para explicar o valor da passagem e seus reajustes, como ocorre em cidades de médio e grande porte. A Benfica apenas apresenta os índices inflacionários dos principais insumos, como combustível e salários de funcionários, propõe o reajuste e a prefeitura aceita.

No começo de 2017, logo após a alta das tarifas de R$ 3,80 para R$ 4,20, o Barueri na Rede questionou o prefeito Rubens Furlan sobre a correção muito acima da inflação e ele disse que havia sido uma herança de Gil Arantes e, por isso, nada podia fazer. Outros prefeitos, no entanto, inclusive na região, revogaram aumentos determinados por seus antecessores.

Após o reajuste do ano passado, movimentos populares realizaram uma série de manifestações contra a ampliação da tarifa e solicitaram ao Ministério Público (MP) que providenciasse uma investigação sobre o caso. Em julho, o MP abriu inquérito para apurar possíveis irregularidades, mas até agora não houve nenhum desdobramento. Esse é o terceiro inquérito aberto pela Promotoria nos últimos anos e os dois anteriores foram arquivados sem nenhuma conclusão.