Se nome diferente ganhar eleição, a câmara vai ser uma festa

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Candidatos recorrem à informalidade para se identificar a chamar a atenção do eleitor. Tem de tudo, de Índio a Magoo, de Bozo a Dolly

 

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27 de Setembro de 2016

Em época de eleições, os candidatos começam a brotar de tudo quanto é lugar e por todos os meios. Nas redes sociais chegam convites para amizade de gente que nunca se viu. E a foto já vem com o número do nobre postulante!

No téte-à-téte, é abraço aqui, beijinho ali, tapinha nas costas e toda a sorte de envolvimento com o eleitor. Já foram às feiras nessas eleições? Se você está carente, não perca!

Mas, um dos pontos altos nesse período é olhar para os nomes dos candidatos. Tem de tudo um pouco. Têm aqueles que agregam bairros, profissão ou empresa de trabalho ao nome de campanha, outros que tem nomes sugestivos, alguns que usam o nome como forma de chamar a atenção e, por fim, aqueles que, isoladamente não parecem interessantes, mas, ao se estabelecer uma ligação ganham um brilho divertido. Ou seja, quando a piada não está pronta, se monta a piada.

A maioria dos “candidatos-bairro” incluem um “do” no nome para identificar que é de determinado local. Quem não o faz, parece que o bairro é de fato sobrenome, como o Luis Imperial ou o Toninho Aldeia. Tem também a Paula Pindorama, que com esse nome poderia bem ser cantora de festivais de MPB.

Na briga dos bairros, o Imperial é quem mais virou sobrenome com onze candidatos, seguido por Camargo com quatro; Engenho com três; Aldeia, Belval e Viana com dois; e Tupã, Audir, Vale do Sol, Chácara Marco, Phrynea e Pindorama, com um.

De nomes sugestivos temos, logo de cara, o Abobrão, que se gostar de abobrinha, pode fazer dupla com Kascata. Temos o povo da fama: Odete Roithman, Lampião, Dudu Nobre e Madruga.

Tem os que se acham: Máximo, Fofa, Estrelinha e Cleiton Abençoado. E os que não. A Zeza Zerada que deve estar fazendo campanha sem recursos, mas espera não zerar nas urnas. O Jorge continua Nervoso, parece crônico. O Mancha não sabe se é melhor aparecer ou ficar apagado.

Nos nomes relacionados com a profissão ou local de trabalho temos quase oitenta candidatos. Tem candidata sem nome como a Motorista Bonitona que podemos deduzir que seja motorista e bonitona, claro. Encontramos dois Ismael. O da Saúde e o do Cemitério. O eleitor escolhe. O Martins Túnel da Ducha promete que haverá água no fim do túnel. Já é alguma coisa.

E a Maria Jequiti? Imagina a imagem dela aparecendo no telão da Câmara durante a fala de outro vereador. Só aquela piscadinha. Sem apartes. Cristian da Granja, Derlan Peixeiro, Carlinhos e Alemão do Açougue, Elaine da Avicultura e Moisés do Churrasquinho prometem que nada mais acabará em pizza! Ricardo da Pizzaria diz que há controvérsias. Wellington Locutor do Japão garante que levará Roberto Japonês para fazer as traduções.

E as associações? Tem o Índio que encontrou no meio da campanha, nada mais, nada menos que o Apito.  O Jurandir Zoinho garante que se, Magoo, Cegão e ele forem eleitos, ele será o presidente da Câmara, pois em plenário de cego, quem tem zoinho é rei. Mas sofre a concorrência de W. Pirata.

Tem as duplas sertanejas Cururu e Kariri; Chapeletta e Chapchap e a dupla Chiclete com Banana: Help e Socorro.

A Sueli Protetora dos Animais promete cuidar do Bispo Leão, Carlão Patinho e do Ratão e manter afastado o Sílvio Sarna.

E tem nome que nem um sobrenome ajuda. O Renato é Filho do Cleuso. Se fosse nos países nórdicos poderia ser Renato Cleusoson, ou Cleusovic na Croácia, Cleusovitch na Rússia, ad nauseam.

Agora, pense numa festa na Câmara. Pensou? Temos Bozo, Carlinhos Show, Fernando Alegria e Reinaldo Brincadeira. Deu fome? A Tia do Dog vai estar lá e diz que levará Sukita e Dollynho, os candidatos refrescantes. E vai ter desenho animado também porque Tom Moisés e Jherry não querem perder a sessão (sim, com dois esses).

E como eleição é coisa séria, o Marcão do Conselho aconselha: Na hora de votar, deixe a brincadeira de lado, conheça seu candidato e vote consciente!