Polícia esclarece morte do advogado Wanderval Jacinto

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Oito pessoas participaram do assassinato. Vítima foi torturada por oito horas antes de ser queimada viva

A polícia de Carapicuíba prendeu seis pessoas apontadas como responsáveis pelo assassinato do advogado Wanderval Borges Jacinto no dia 30/3. Segundo as investigações, outros dois homens participaram do crime, mas estão foragidos. Entre os presos estão dois maiores, Marcelo Vinicius de Souza Vieira e Pauliceia Scarcelli Fernandes, e seis menores. De acordo com os depoimentos dos próprios acusados à polícia, Wanderval foi submetido a espancamentos e torturas por cerca de oito horas, até ser queimado vivo dentro de seu carro. 

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Pauliceia: cliente da vítima

Na quinta-feira, dia 30/3, por volta de 17h30, o advogado dirigiu-se à casa de Pauliceia, na rua Cananeia, no Jardim Maria Helena. Apesar de ser criminalista, ele estaria cuidando do processo de separação dela. O local serve de moradia para um grupo de usuários de drogas. Quando Wanderval chegou, teria encontrado apenas uma menor, sobrinha de sua cliente.

Em certo momento, chegou um grupo de moradores da casa que alegaram em seus depoimentos ter flagrado o advogado tentando assediar a garota. Eles então passaram a agredi-lo. Wanderval foi espancado e amarrado com fita adesiva, com as mãos para trás, e assim permaneceu por cerca de oito horas, enquanto era torturado. Os agressores gravaram um vídeo com o celular do advogado em que ele é forçado a afirmar que tentou violentar a menina.

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Marcelo: um dos maiores presos

Segundo apurou o Barueri na Rede, já à noite, dois dos acusados, depois de obrigar Wanderval a revelar a senha bancária, saíram com os cartões do advogado para fazer saques e compras num mercado e num posto de gasolina próximos. Essa foi a pista para a polícia chegar aos criminosos. Os cartões foram rastreados e foi possível para polícia identificar os estabelecimentos. Num deles, as câmeras de segurança gravaram imagens da dupla.

Por volta das 2 horas da madrugada, o grupo teria resolvido executar a vítima. Wanderval foi então levado em seu próprio carro, um Gol preto, até a rua Bela Emília, em Cidade Ariston, bairro de Carapicuíba próximo dali, onde o veículo foi incendiado com a vítima dentro. Ele teve queimaduras em 80% do corpo e morreu na tarde da sexta-feira, 31/3, no Hospital das Clínicas.

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Wanderval: oito horas de tortura

A polícia ainda investiga a possibilidade de a tia ter preparado uma armadilha contra o advogado utilizando a menor como isca ou pretexto. 

Figura querida

Wanderval Borges Jacinto era advogado, tinha 65 anos e atuava havia muito tempo em Barueri. Era uma figura muito popular no fórum e na OAB, brincalhão, conhecido pelo bom humor. Tinha muitos amigos e participava das atividades sociais do mundo jurídico. Vivia em São Roque, onde foi sepultado. Era casado e tinha três filhos.