Barueri, a cidade bolha, a ilha sem covid-19

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O mundo sofre com a pandemia de Covid-19. O Brasil sofre com a Covid-19. São Paulo, foco da pandemia no país, sofre com mortes e casos em ascensão da Covid-19. Mas Barueri, não!

Verônica Falco, jornalista. Editora-chefe do Barueri na Rede

Barueri é a ilha da imunidade. Os dados do município apontam um crescimento vertiginoso nos contágios pelo novo coronavírus, mas na cidade em que se diz que ‘tudo é escondido, nada do que acontece é divulgado’, esses dados são irrelevantes. As informações em todo o Estado dão conta de que pessoas mortas passam de 2,5 mil, dos 7 mil no Brasil, mas Barueri, com seus quase 50 casos, não entra nessa conta, mesmo que sejam contabilizados apenas os moradores do próprio município.

Deve ser definitivamente a cidade ilha da Covid-19. O povo barueriense deve ser imune, já que alguns resistem e acreditam que não há casos, ou se há, os números não são tantos: o vírus aqui parece ser mais contido, o que deve ser uma raridade no mundo. Dos mais de 500 casos confirmados, estando entre eles agentes da Guarda Civil Municipal, funcionários do Centro de Controle de Epidemias, moradores de vários bairros, agentes da saúde, todos devem ser ‘um caso à parte’, já que em Barueri, ‘tudo se esconde’, mas o que se divulga ‘não é bem assim’.

Já os quase 1,3 mil casos em investigação e os mais de 200 confirmados também não fazem parte dos ‘números reais’ e não são eles que colocam Barueri entre os piores índices do Covid-19 no estado. Afinal, o número de pessoas nas ruas, ignorando completamente as recomendações mundiais deixam claro: Barueri é a cidade ilha na pandemia. Nada do que acontece no mundo acontece aqui. Mais, somos uma ilha mesmo, já os municípios vizinhos, como Osasco, Carapicuíba, Jandira e Itapevi também têm seus mortos pelo vírus, mas Barueri, ‘nem tanto’.

Para quê aderir ao isolamento social, às medidas de segurança, afinal, ao contrário de todo o Estado, e do país, Barueri não tem ‘tudo isso’ de vítimas do Covid-19. Cada família que perdeu uma pessoa em decorrência das complicações do vírus ‘nem é tanto assim’. É exagero, dizem. Talvez isso explique a não necessidade de atendimento médico, ou leitos, afinal, é exagero.

Com as pessoas nas ruas, em tamanha quantidade, logo se vê que a cidade é totalmente imune e os baruerienses, em sua grande maioria, fazem parte dos serviços essenciais, incluindo aí, crianças – que acompanham os pais no mercado –, atletas de fim de semana e até mesmo famílias inteiras que, por motivos trabalhistas, não podem aderir às recomendações das autoridades de saúde. Isso significa que a cidade também é uma ilha no que se refere aos problemas econômicos, afinal são tantas pessoas trabalhando em serviços essenciais que o desemprego não será um problema.

Também há que se ignorar relatos de aglomerações em locais públicos, bares recebendo clientes de portas fechadas e manifestações de fé também de portas cerradas – a comunicação entre as pessoas precisa, necessariamente, ser feita em aglomeração. Barueri é a cidade ilha e imune à Covid-19.

Avaliando o comportamento geral, faz sentido dizer que aqui é ‘tudo diferente’, e ‘nada acontece’. Ou Barueri é a ilha da pandemia ou faz parte da cultura de negação. Se mesmo Barueri estando entre os piores índices de isolamento do Estado e o pior da Grande SP o jeito é “acredita quem quer, se previne quem tem juízo”, resta aguardarmos.

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