Mulher sempre demora para ficar pronta

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Jay Rocker mostra como homens e mulheres utilizam o tempo de que dispõem em um relacionamento

Formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, ex-baterista da banda Vozes Incômodas, autor dos livros "Poesia das Ruas" e "Anarquismo: Uma questão de ordem, respeito e solidariedade", escrivinhador no site Interferência Urbana, ataca de poeteiro e contador de causos no site "Recanto das Letras", reside em algum lugar além do arco-íris, não está na moda, não bebe, não fuma, não cheira, não dança, não joga e não namora em pé.
Formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, ex-baterista da banda Vozes Incômodas, autor dos livros “Poesia das Ruas” e “Anarquismo: Uma questão de ordem, respeito e solidariedade”, escrivinhador no site Interferência Urbana, ataca de poeteiro e contador de causos no site “Recanto das Letras”, reside em algum lugar além do arco-íris, não está na moda, não bebe, não fuma, não cheira, não dança, não joga e não namora em pé.

José se recosta na cadeira, dá um forte suspirada e balança negativamente sua cabeça. Ali está ele, sentado em sua sala, olhando para o relógio e se perguntando como sua esposa demora para ficar pronta.

Num leve exercício de memória, ele se lembra que a esposa tomou banho bem antes dele e agora, ele já pronto, com a chave na mão, faz o “favor de esperar” ela acabar de se ajeitar.

Seu filho Carlos, ou Carlinhos, também está pronto. Brincando com seus brinquedos antes de sair e enquanto José se preocupa se o menino vai ou não se sujar.

Talvez José não tenha percebido que sua esposa começou tomar banho antes dele, mas antes de entrar no chuveiro deu banho em Carlinhos. Saiu com o filho na toalha e foi para o quarto. Nessa hora, José começa seu banho.

Talvez José não tenha notado que ela arrumou o filho, separou a roupa que o marido usaria, passou, deixou estendida na cama. Ele pode não ter visto que enquanto ele saia do banheiro, ela penteava seu filho, passava perfume, ajeitava a roupa…

Para nosso amigo José, foi simples. Banhou-se, vestiu-se e lá estava pronto na cadeira. Levanta-se, pega uma bebida, reclina-se em sua poltrona, liga a TV e solta um: “Caçamba, vamos chegar lá amanhã?”, enquanto sua esposa finge não escutar e continua colocando sua roupa.

No final, ela está linda. Um rosto cansado, mas muito linda. Para José valeu a pena esperar a esposa se produzir. Talvez ela seria a mais linda da festa.

Mas, e sua esposa? O que escondia no “tô pronta, vamos?” que ela proferia? E agora, José? Qual estranho seria esse sorriso de Monalisa?

Para o casamento fluir, sua esposa se calou. Colocou uma pedra em cima do ocorrido e deixou como mais um episódio passado. Algo ainda intrigava José.

José, aquele homem criado nos maiores padrões de virilidade. O homem da casa, o que dava a ordem, trazia o feijão, o que dava a palavra final ainda não tinha percebido o essencial:

Sua esposa era a última opção da história. Ela se preocupou em deixar todo mundo pronto para depois cuidar dela mesma. Não por capricho ou vaidade, mas quantos Josés não percebem que suas esposas demoram em algo justamente por colocarem outras prioridades em suas vidas? É a comida no prato primeiro para os filhos e marido, é a toalha seca na porta, é a roupa passada e pronta para ser usada, é o filho já pronto para o passeio.

Não, meu caro. A esposa de José nunca demorou para ficar pronta. Ela não tem metade do tempo que ela dedica para a família, para seu marido, para seu filho. Ela usa o pouco tempo que sobra para se produzir, tentar se animar e se achar bonita. Ela não demora para se arrumar, ela faz em seu tempo, mas José ainda não percebeu isso e finalizou sua noite fazendo piadas quanto à demora da esposa, que de tão renegada a coadjuvante na história (mesmo fazendo o papel principal) nem se deu ao luxo de perceber que ainda não tinha recebido um nome.

 

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