MEDO NAS ESCOLAS: Boatos sobre ameaças a alunos causam pânico na cidade

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Pais e alunos estão assustados. Áudio de adolescente foi o estopim para que o temor se espalhasse

Por Verônica Falco

Barueri tem sido afetada pelo que ficou conhecida como a tragédia de Suzano. Dias depois que dois rapazes, um deles com 17 anos, abriram fogo contra estudantes de uma escola na cidade da Grande São Paulo, mataram oito pessoas – seis adolescentes, a coordenadora e uma inspetora –, e cometeram suicídio em seguida, espalhou-se uma onda de boatos de que alunos de Barueri têm feito ameaças de fazer o mesmo nas escolas da cidade.

Polícia Civil e GCM estiveram na escola onde estudou aluno vítima de bullying

Tudo teria começado quando tornou-se público um áudio em que um adolescente, de 14 anos, afirmou que tinha uma arma e que um dia invadiria a escola onde estudou, na Vila Universal, e “mataria uns 30”. O jovem decidiu abandonar os estudos por sofrer bullying e a conversa teria sido gravada por um amigo dele.

A partir daí, e ainda sob o impacto dos crimes de Suzano, o diálogo ganhou as redes sociais e grupos de whatsapp, espalhando o pânico entre pais e alunos. “Hoje minha irmã me ligou e disse que não queria mandar o filho para a escola. Ela queria saber se meu sobrinho corria riscos”, contou uma fonte ouvida pelo Barueri na Rede que trabalha em uma das secretarias da prefeitura.

Diversas postagens no Facebook também têm feito referência às ameaças e leitores procuram informações. “Quero saber quando vocês vão se pronunciar sobre o fato que aconteceu na escola da rede de Barueri? Sobre o menino que fez um vídeo aterrorizado a escola (…)”, diz uma das mensagens. Numa outra, a leitora pergunta sobre um suposto atentado numa escola em Barueri. “Segue com alguma verdade?”.

A onda atual se assemelha à que ocorreu em dezembro de 2017, quando se espalhou pela cidade a notícia de que crianças estavam sendo sequestradas para retirada de órgãos. As informações desencontradas causaram pânico e houve até uma tentativa de linchamento de um jovem no Jardim Silveira.

Leia sobre esse caso: Rapaz com esquizofrenia é confundido com sequestrador de criança

No caso atual, os boatos ganham dimensão. “O que era um caso isolado numa escola, virou praticamente uma gangue de jovens que estariam ameaçando entrar nos colégios e matar alunos e professores”, revelou outra fonte do jornal, ligada diretamente à prefeitura de Barueri. Tanto agora, como em 2017, não há nenhum indício de que exista uma ameaça real ou de que jovens estão ameaçando invadir escolas e executar alunos e funcionários.

Tratando a questão com cautela

O temor que tomou conta de pais, que têm filhos em instituições do município obrigou, as secretarias municipais de Educação e de Segurança de Barueri a tomar medidas cautelares para tratar a questão.
Há poucos dias, o secretário de Educação esteve em uma das escolas da rede para falar sobre os rumores e o risco de atentados. Na ocasião, Celso Furlan falou, em tom didático, que é importante ter cuidado com os boatos e como isso pode impactar a vida dos estudantes. O secretário também teria falado sobre a questão do bullying e os efeitos que isso causa nas crianças e adolescentes.

Na área da segurança, uma pessoa ligada à pasta afirmou que a GCM tem feito, nos últimos dias, um esquema que garanta maior presença dos agentes nas escolas, mas ressaltou que se trata de uma medida protetiva e de resguardo ‘emocional’ aos alunos e pais. “Não foi detectada qualquer ameaça real. Até mesmo porque, segundo agentes policiais municipais que ouviram o áudio, é claro que se trata de um adolescente que precisa mais de ajuda do que de uma repressão policial.”

O estudante, autor do áudio que tem circulado nas redes sociais, está sob acompanhamento do Conselho Tutelar e sendo assistido pela Promotoria da Infância e Juventude de Barueri. O suposto vídeo das ameaças não foi localizado.