Hospital Municipal: atraso de salários e demissões

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Mesmo sob intervenção da prefeitura, hospital continua com os mesmos problemas e agora tem ameaça de paralisação de equipe de cirurgiões

Problemas no HMB se arrastam desde o ano passado, quando os médicos começaram a denunciar atraso nos pagamentos de salários e verbas rescisórias/Fotos:Divulgação

Ainda sob intervenção da prefeitura, o Hospital Municipal de Barueri Francisco Moran (HMB) enfrenta velhos e novos problemas. O mais recente foi uma ameaça de paralisação dos trabalhos no centro cirúrgico por atraso no pagamento dos médicos.

Desde o ano passado, os médicos vêm reclamando da irregularidade dos pagamentos. Segundo eles, os salários vinham sendo depositados atrasados e em partes. Com a intervenção praticada pela prefeitura a partir do início de março, os profissionais acreditavam que a situação seria normalizada, mas isso não ocorreu.

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Prefeitura decreta intervenção no HMB por risco ao atendimento 

O Barueri na Rede conversou com profissionais do hospital e apresentou seus questionamentos à prefeitura. Em resposta, a gestão municipal afirmou que “um dos efeitos da intervenção foi uma reordenação orçamentária à manutenção do HMB, que ainda está sendo agregada pelas finanças da Prefeitura, e que como consequência, de fato, afetou o pagamento destes profissionais”.

A prefeitura garante que os atrasados serão pagos e que três reuniões já foram realizadas com as equipes para tratar do assunto. Parte dos médicos, porém, não concordou com a forma como a administração pretende saldar a dívida e ameaçou interromper as atividades do centro cirúrgico, suspendendo as operações agendadas. 

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Após a ameaça, alguns profissionais foram demitidos, mas os interventores não relacionam os desligamentos ao movimento dos cirurgiões. Ao explicar as demissões, a gestão municipal diz que “os médicos que não têm se encaixado no perfil do que a prefeitura necessita para o HMB estão sendo gradativamente substituídos, para que o serviço médico prestado seja aprimorado e atenda a contento às necessidades da população de Barueri”.

Nos corredores do hospital também corre a informação de que uma das medidas que serão tomadas para sanear a gestão do HMB será o corte de 30% do pessoal administrativo. A prefeitura afirma que não há nada decidido sobre isso, mas admite que a readequação do quadro de funcionários está sendo avaliada pelos interventores e diz que qualquer que seja a decisão, não haverá prejuízo para o atendimento. “A prefeitura ainda elabora um dimensionamento real dos serviços e do pessoal do HMB, em relação ao que de fato o equipamento necessita para atender bem à população. Por outro lado, a prefeitura garante também que não haverá represamento de demandas”, informa em texto enviado ao BnR.

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HMB é gerenciado pelo Instituto Hygia

O HMB é propriedade da prefeitura, que cede sua administração a uma Organização Social (OS). Desde 2014, quem gerencia o hospital é o Instituto Hygia Saúde e Desenvolvimento Social. Em março deste ano, porém, a prefeitura decretou intervenção no local sob a alegação de que problemas na gestão estariam colocando em risco o atendimento da população. A intervenção tem prazo de 90 dias, que vencem em 9 de junho, para apresentar suas conclusões.

As relações entre município e instituto têm sido turbulentas. Além dos problemas com a pontualidade dos salários, o Hygia enfrenta demandas trabalhistas por não pagamento de verbas rescisórias de funcionários demitidos. Por isso, o desfecho da intervenção é incerto.  Atualmente, os repasses da administração para o hospital giram em torno de R$12 milhões por mês.

O Barueri na Rede procurou a administração do HMB e apresentou as mesmas questões enviadas à prefeitura. Em resposta, o Instituto Hygia respondeu que estava de acordo com as explicações dadas pela administração municipal.

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