HMB: familiares relatam falta de limpeza, medicamentos e aparelho de tomografia

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Prefeitura nega falta de limpeza e remédios e alega que aparelho de tomografia está em manutenção

Por Caroline Rossetti

O Hospital Municipal de Barueri – Dr. Francisco Moran, conhecido como HMB, vem passando por períodos turbulentos desde maio de 2016. A crise que a unidade de saúde atravessou em quase um ano e meio deixou rastros que se prolongam até hoje pelos corredores do prédio.

Foram episódios de greve de funcionários, intervenções judiciais, ameaça de demissões em massa, contas pendentes, e um imbroglio administrativo que parecia incerto até que a Associação Paulista para ao Desenvolvimento da Medicina (SPDM), nova gestora do hospital, assumiu a direção em julho de 2017 (veja aqui).

Na ocasião em que a SPDM tomou posse do HBM, fontes ouvidas pelo Barueri na Rede, ligadas diretamente ao prefeito Rubens Furlan, garantiram que ele estava otimista e que, segundo uma delas, “agora, sim, o hospital será o que ele [prefeito] quer para a população”.

Ao contrário do que se esperava, de lá para cá, os reflexos de uma terceirização com lacunas afetam diretamente quem busca atendimento no HMB. Familiares de pacientes que vivenciam a atual situação do “grande prédio espelhado” relataram ao BnR casos que circulam entre os 288 leitos do hospital inaugurado em 2008.

Episódios se multiplicam

A filha de uma moradora do Parque Viana, que está internada no HMB, contou o caso da mãe que, com problemas no coração, aguarda há quase 20 dias para fazer cateterismo. Segundo a família, a médica que acompanha o quadro de saúde da mãe se vê de mãos atadas e não sabe mais como ajudar para agilizar o exame, e que ainda só um dos remédios do tratamento do coração foi fornecido pelo hospital à aposentada de 85 anos.

Por falta de medicação no hospital, todos os outros medicamentos que a paciente precisa são custeados pela própria família. “Desembolsamos de R$ 700 e R$ 800 reais por semana”, diz uma das filhas que se reveza com duas irmãs no acompanhamento da mãe dentro do HMB.

À família, o hospital não dá uma previsão para realização do exame. “A administração afirma que já fez cadastro no sistema do Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) para transferi-la para a Santa Casa, Dante Pazzanese ou para a UPA na Zona Leste, onde o cateterismo pode ser feito”, conta, preocupada, a filha da paciente.

Na sexta-feira, 13/10, a família da aposentada que aguarda por um cateterismo diz ter presenciado um senhor, que aguardava para fazer o mesmo procedimento da mãe, morrer de parada cardíaca por conta da demora na realização do exame.

Outro problema que indignou quem tem familiares hospitalizados no HMB é a limpeza, principalmente dos quartos. “Em quase três semanas de internação, o quarto onde minha filha está internada foi limpo apenas uma vez, depois da gente insistir, brigar com o setor de limpeza e a administração”, contou a mãe de uma paciente.

Cansadas de insistir e com medo de que a mãe contraia outras doenças, as filhas estão arcando com produtos de limpeza e realizando a faxina do quarto e do banheiro onde a paciente está. “Depois que reclamamos da limpeza, o hospital veio limpar o quarto uma vez na semana passada, mas o banheiro já está cheirando ruim de novo, por isso falei para minhas irmãs levarem água sanitária para jogar no vaso e no box do banheiro”, contou uma das filhas.

No mesmo quarto onde está a moradora do Parque Viana, outro paciente que teve derrame pulmonar espera para realizar uma tomografia do tórax. “Porém, este exame não está sendo feito no HMB porque o aparelho está quebrado. Todos os pacientes que esperam por uma tomografia entram em uma fila de transferência para o Hospital Pirajussara, em Taboão da Serra”, contou um familiar de outro paciente. O mesmo procedimento de transferência foi utilizado em agosto no caso do menino Anderson, que esperou por mais de três horas para ser atendido no HMB (leia matéria completa).

O que diz a prefeitura

Questionada pelo Barueri na Rede sobre a atual situação do Hospital Municipal, a prefeitura de Barueri, por meio da Secom, alegou que sobre a falta de limpeza “o HMB dispõe de uma equipe especializada em higienização que realiza a limpeza concorrente e terminal da instituição, conforme cronograma pré-estabelecido” e ainda que “não identificou esta ocorrência no local.”

Quanto à afirmação de que falta medicação para os pacientes – coisa que também aconteceu com o menino Anderson, em agosto -, a prefeitura também alegou que não há tal relato por parte da instituição, e ainda ressaltou que “o atendimento é 100% SUS, sendo vedada a cobrança por serviços médicos, hospitalares ou outros complementares de assistência devida ao paciente”.

Já sobre o aparelho de tomografia, a administração municipal afirmou que o equipamento está em manutenção e “que está fazendo o possível para que o reparo ocorra o mais breve possível”. No entanto, não foi mencionado um prazo para o conserto do aparelho. A prefeitura acrescentou que “os pacientes internados no HMB estão realizando os exames em outras instituições, não tendo o seu tratamento prejudicado”.

Para completar, a prefeitura ressalta que “a organização (SPDM) reassumiu a gestão do Hospital Municipal de Barueri apenas no segundo semestre/2017 e não tem medido esforços para chegar à excelência no serviço oferecido, conforme o reconhecimento nos selos de certificado de excelência alcançados durante a antiga gestão da mesma organização”.

Enquanto isso, assim seguem os casos do HMB, com “a esperança de que, um dia, administração, médicos, funcionários e nós, pacientes, possamos relatar que o interior dessas instalações faz jus a sua carcaça de vidros espelhados’, lamenta uma paciente.

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