Furlan: “também estou preocupado com a economia, mas a vida é em primeiro lugar”

2214
- Publicidade -

Prefeito criticou atitudes do presidente Jair Bolsonaro e disse que abertura de escolas e do comércio só será feita quando for seguro

Durante uma transmissão pelo Facebook, o prefeito Rubens Furlan afirmou que a cidade não pode seguir o que o presidente Jair Bolsonaro está dizendo, se não estará contribuindo com a disseminação do coronavírus. A alegação foi feita na tarde de segunda-feira, 30/3, depois das declarações do presidente em comunicado de cadeia nacional na semana passada, de entrevistas e passeio por Brasília no fim de semana.

“Todos terão prejuízo, porque por todo lugar que o coronavírus passou deixou prejuízo. Mas o momento é de paciência, coerência e responsabilidade”, disse Furlan durante live na segunda-feira, 30/3/ Foto: Reprodução

No vídeo vinculado na página oficial do prefeito, Furlan disse que “também está preocupado com a economia e quer ver Barueri dinâmica e forte como sempre foi antes dessa pandemia. Mas, que agora ‘temos que colocar a vida das pessoas em primeiro lugar”. O prefeito completou que a prefeitura está fazendo de tudo para proteger a população e que, neste momento, ‘a prioridade é controlar a disseminação do coronavírus’.

Na fala, Furlan afirmou que a queda da receita do município já não foi pequena na última semana, ao mesmo tempo em que o coronavírus vem avançando drasticamente. No último boletim divulgado pela administração municipal na segunda-feira à noite, 14 mortes estavam em investigação, sendo que uma já foi confirmada para a Covid-19 (veja). A situação epidemiológica tem sido publicada diariamente no site da prefeitura (aqui).

Críticas ao presidente

“O momento é difícil para todos. Muitos vão pagar o preço da crise. Mas, só depois que vencermos o vírus vamos conseguir recuperar a economia”, disse Furlan. “Chefes de estado do mundo todo estão tomando providências, menos o do Brasil”, desabafou e completou, “temos que ser liderados pelo presidente, mas, se seguirmos ele, muita gente vai morrer”.

Nas críticas ao presidente da República, Furlan ainda citou uma das falas dele nos último fim de semana, depois de fazer um passeio por Brasília mesmo durante a quarentena. “Recentemente ouvi um absurdo de que ‘todos vamos morrer um dia’. É verdade, mas, temos que fazer um grande esforço para que não seja agora, e não pelo coronavírus. Vamos lutar para preservar o máximo de vida que a gente puder, para que esses brasileiros ajudem a recuperar a economia no futuro”, pontuou o prefeito.

Ele também comentou o desalinhamento entre o ministro e o presidente. Além de mencionar que o Twitter retirou a postagem do passeio presidencial por ir contra os interesses da vida, atitude que também foi tomada pelo Instagram e Facebook. O prefeito ressaltou que este é um momento de coerência e responsabilidade.

Escolas e comércio

Furlan também comentou sobre uma possível reabertura das escolas municipais. “Se fizermos isso, vamos contribuir com o vírus e ser responsáveis por mortes que poderiam ser poupadas. Só vamos trazer as crianças de volta para sala de aula quando for seguro”, ressaltou.

Com relação ao comércio e a indústria, o prefeito continua defendendo a paralisação do que não for essencial. Com uma população flutuante – pessoas que entram e saem do município para trabalhar e fazer compras – de 250 mil por dia, Furlan afirma que se os serviços fossem liberados, Barueri estaria contribuindo também com a Covid-19.

“Tudo o que é possível tirar a restrição, vamos fazer. Barueri está lutando”, disse e reforçou que ‘para a saúde não vai faltar dinheiro’. Entre as questões que a prefeitura voltou atrás nesta semana está a liberação das feiras livres, que a partir desta terça-feira, 31/3, voltam a funcionar as que operam durante o dia (saiba mais).

- Publicidade -