Funcionários do HMB interrompem atendimento

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Servidores foram informados que devem pedir demissão e não têm garantia de emprego

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Furlan subiu numa cadeira e tentou falar com os funcionários mas não conseguiu

Os funcionários do Hospital Municipal de Barueri (HMB) interromperam o atendimento na tarde desta quinta-feira (6/2). Apenas o pessoal da internação continuou trabalhando. A decisão foi tomada depois de reunião com Rubens Furlan em que o prefeito afirmou que os trabalhadores devem pedir demissão do Instituto Hygia, atual gestor do hospital, e se inscrever para participar do processo seletivo da SPDM, a nova gestora.

Não há certeza de que os servidores voltarão ao trabalho. Foi marcada uma reunião para a manhã desta sexta-feira, 7/4, entre trabalhadores e o sindicato da área de enfermagem para discutir uma paralisação.

O HMB está passando pelo processo de transição da organização social (OS) que o administrava, a Hygia, para a nova gestora, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, a SPDM. A antiga administradora acumula dívidas que giram em torno de R$ 100 milhões, e a entidade que está assumindo o hospital não aceita assumir esse rombo.

Veja aqui (Prefeitura transfere Hospital Municipal para novo gestor) como está a transição da gestão do HMB.

Assim, a fórmula encontrada pela prefeitura para fazer a transição é que os cerca de 1.380 funcionários encerrem sua relação com a Hygia e tentem uma recolocação com a SPDM. Não há garantia de que sejam recontratados pela nova gestora, que já iniciou um processo de seleção que teve provas no sábado anterior, dia 31/3, e fará outras no próximo fim de semana.

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O prefeito foi interrompido várias vezes pelos servidores

A situação cria um impasse para os funcionários. Como a Hygia está encerrando sua atuação, caberia a ela fazer as demissões. Mas o instituto não tem recursos para cumprir com suas obrigações trabalhistas. Por isso o servidor que quiser tentar se manter no emprego precisa tomar a iniciativa de se desligar, abrindo mão de direitos como aviso prévio, liberação de FGTS com os 40% de multa e seguro-desemprego, entre outros. Tudo isso, sem garantia de continuar no trabalho. Entre os servidores, alguns chegam a ter oito anos de trabalho no hospital.

O Barueri na Rede tentou falar com o Instituto Hygia, mas não conseguiu. No hospital, corre o boato de que a instituição está em processo de falência. Caso a OS não honre seus compromissos trabalhistas, a prefeitura pode ser obrigada a assumir a dívida, mas isso resultará em longos processos na Justiça do Trabalho. O rombo da entidade em tributos, que a administração municipal pode ser obrigada a pagar, gira entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões.

Na tarde da quinta-feira o prefeito foi conversar com os funcionários. Ele os chamou para uma conversa no hall de entrada, subiu em uma cadeira e tentou explicar a situação, mas não conseguiu, pois o clima era muito tenso. Furlan foi interrompido várias vezes e então se retirou deixando e a impressão entre os trabalhadores de que todos haviam sido demitidos. Por isso, imediatamente o atendimento do hospital foi interrompido.

Foi nessa situação que Jorge Salomão, que se apresenta como novo superintendente do HMB, afirmou que a SPDM pretende analisar a situação dos atuais funcionários para eventualmente reaproveitá-los, sem lhes dar garantia de manutenção,do emprego. A eles, a prefeitura apenas garantiu o pagamento dos salários do mês de maio, período em que será mantida a intervenção do hospital, iniciada em março de 2016.

Veja abaixo nota emitida pela prefeitura sobre a situação.

Nota de esclarecimento sobre o HMB


A Prefeitura de Barueri esclarece que não houve demissões no Hospital Municipal de Barueri e nem interrupção dos serviços.

Neste momento, o HMB está sob intervenção da Prefeitura em fase de transição para outra administração, porque o contrato com a antiga gestora, Instituto Hygia, foi rescindido conforme o decreto 8.530 de 3 de abril de 2017.

Não houve desordem na tarde de hoje. O princípio de tumulto entre os colaboradores se deu por conta do descontentamento com a informação de que uma possível recolocação pela futura gestora só pode ocorrer com o desligamento legal do vínculo profissional junto ao Instituto Hygia.

Os vencimentos deste mês sob intervenção serão honrados pela Prefeitura assim como ocorreu na data de hoje em relação aos serviços prestados no mês de março.

O hospital conta com 1380 funcionários.

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