Finalmente, Cantareira sai do volume morto

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Sistema de represas responsável pelo fornecimento de água para parte de Barueri estava operando na reserva técnica fazia 19 meses

Depois de quase 19 meses, finalmente o nível de água do Sistema Cantareira atingiu o limite máximo do volume morto, ou reserva técnica. Relatório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), divulgado na manhã desta quarta-feira (30/12), indica que o conjunto de represas chegou a 29,3% do total de sua capacidade. Esta é exatamente a marca que define o total da reserva.

O índice foi atingido antes do previsto, já que a Sabesp calculava que só fosse alcançado por volta de abril de 2016. A antecipação se dá ao grande volume de chuvas que caiu em dezembro, totalizando 258,2mm, ante a média histórica do mês que é de 219,4mm. A partir de agora, se as chuvas continuarem a elevar o nível do Cantareira, a água começa a ocupar o que se chama volume útil, que é usado nos tempos de normalidade.

O sistema abastece 5,3 milhões de pessoas na Grande São Paulo, entre elas, parte da população de Barueri, e passa por uma crise hídrica há mais de dois anos. Nesse período, houve grande risco de faltar água e a Sabesp chegou a reduzir a pressão da água fornecida às casas (recurso que pratica até hoje) e a promover racionamentos sem admitir que estava cortando o fornecimento da população. Barueri é atendida em parte pelo Sistema Cantareira e em parte pelo Baixo Cotia.

Com a acentuação da crise, em 15 de maio de 2014, a Sabesp se viu obrigada a bombear água do primeiro estágio do volume morto para evitar a escassez. Cinco meses depois, em 24 de outubro, a empresa teve de passar a utilizar o segundo estágio, mais profundo.

A água da reserva, porém, tem qualidade inferior, justamente por estar mais próxima do contato com o fundo das represas e se misturar com lodo e outras impurezas. Por isso, durante algum tempo, era comum que o líquido que saía das torneiras tivesse resíduos sólidos e coloração parda.

O que é volume morto?

Volume morto é o nome popular para a reserva técnica de um reservatório, como se fosse a reserva de um tanque de gasolina. O índice de 29,3% atingido hoje significa que o “tanque” da Cantareira está vazio, mas a reserva está cheia. Com esse volume é possível atravessar mais um ano, como ocorreu de 2014 para 2015, desde que sejam tomadas medidas de controle e economia de água pela Sabesp, pelas empresas e pela população. Entre essas medidas, não está descartado o racionamento.

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O preenchimento da reserva técnica antes do prazo, além das chuvas de dezembro, ocorreu porque o Sistema Cantareira teve um grande alívio ao longo do ano. Ele recolheu o dobro de água durante a primavera em relação ao mesmo período em 2014. Foi a primavera com maior volume de chuva desde 2009. O manancial recebeu 527,2 milímetros entre setembro e dezembo. No ano passado, choveram 236,1 mm no mesmo período. A melhor marca recente é a de 2009: 755,9 mm. As chuvas na primavera seguiram o ritmo verificado anteriormente no inverno, também o mais chuvoso desde 2009.

Represa cheia

A última vez que o Sistema Cantareira atingiu ocupação máxima foi em 2010, graças às constantes e fortes chuvas ocorridas desde o meio do ano anterior. Naquela época, o conjunto de represas era responsável pelo atendimento a 8,1 milhões de pessoas. Desde então, obras em outras áreas permitiram desafogar o sistema, que hoje abastece 5,3 milhões de moradores da capital e da Grande São Paulo.

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Em 2010, o nível de ocupação do Cantareira chegou a 99,5%, suficientes para atender aqueles 8 milhões de consumidores por dois anos sem chuvas. A última vez que as represas estiveram 100% cheias foi em 1999.

Na época, o volume de água era capaz de manter três anos de fornecimento ininterruptos, mesmo com estiagem prolongada. Em contrapartida, em janeiro deste ano, em plena estação das chuvas, o sistema operou no nível mais baixo dos últimos dez anos, o pior de que se tem notícia, com apenas 5,5% da capacidade.