Em Barueri, onde está “Wally”?

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Quase dois meses de quarentena, medidas de isolamento social, casos de infectados aumentando e não se vê nenhuma autoridade dirigindo a cidade, seja para qual lado for

Verônica Falco, jornalista. Editora-chefe do Barueri na Rede

Prefeito, autoridades da Segurança Pública e da Saúde de Barueri. Ninguém viu, ninguém sabe. A questão que fica é: onde estão? Em pleno avanço dos casos de baruerienses infectados pelo Covid-19, motivo que determinou a quarentena, isolamento social, suspensão de aulas, interrupção de serviços e trabalhos não essenciais, Barueri está à deriva.

Enquanto as autoridades do Estado e de muitos municípios “dão a cara a tapas”, já que as medidas agradam parte da população e despertam o descontentamento de outra parcela, em Barueri fica a pergunta: onde estão nossos Wallys?

A última aparição ou manifestação do administrador da cidade divulgada por canal oficial foi em 7 de abril, quando, numa live, afirmou, em consonância com o governador do Estado, que “a quarentena é para evitar um mal maior”. Depois disso, passou a levar a quarentena “realmente à sério”: nada de pronunciamentos, nem orientações, nem posicionamentos para a população de Barueri que, segundo a própria prefeitura, já está com mais de 800 casos de infectados pelo novo coronavírus.

Outro notório sumiço é o da secretária de Segurança da cidade, e os relatos diários dão conta de que não foi só de pronunciamentos públicos que ela se afastou. A aparição mais recente foi na ocasião dos envenenamentos de moradores em situação de rua – isso em novembro de 2019. Atualmente, as rotineiras queixas de pessoas quanto ao não cumprimento das determinações para que o comércio não essencial fique fechado, e aglomerações sejam evitadas, deixam claro que os responsáveis pela segurança não sabem o que fazer, ou não querem fazer nada.

Com queixas de quem aderiu à quarentena, sejam comerciantes, sejam moradores, a GCM se mostra inerte diante de denúncias, ou quando flagram irregularidades em relação ao enfrentamento da pandemia em Barueri. Seja qual for o motivo: por onde anda a responsável pela segurança da cidade? Junto com os muitos moradores que insistem em circular pelas ruas é que não é. Outra autoridade que sumiu e parece que está realmente “levando a quarentena a sério”.

Quanto ao secretário de Saúde, setor fundamental nesse momento, nem é possível lembrar quando se pronunciou aos baruerienses. A saúde, os profissionais e pacientes parecem à deriva, à mercê da própria sorte e do “salve-se quem puder”. Aos que podem, não há nem onde reclamar, já que a parte administrativa da pasta segue em “quarentena restrita”. E assim, da terceira força que seria necessária para que a cidade e seus moradores saibam o que fazer, que rumo seguir para passar por esse momento com o menor número de mortos e feridos, ninguém sabe também.

Aos baruerienses resta se queixar. Seja da quarentena determinada pelo Estado e seguida por osmose pelo município; do cumprimento parcial de comerciantes quanto às atividades essenciais; das aglomerações em locais públicos, ou seja, da total falta de atitude das autoridades.

Seja para apanhar dos que são contra as medidas de isolamento, seja para ser afagado pelos que estão trancados esperando a quarentena realmente começar, as caras precisam ser dadas. Barueri não é um bairro do Estado, onde o que é determinado pelo governador, seja correto ou não, chegue em eco até nós.

Nesse momento, temos ou não administradores, responsáveis pelos principais pilares, que são a Segurança, Saúde e a prefeitura propriamente dita. Enquanto isso, fica a pergunta: Em Barueri, alguém tem visto o Wally?

*Onde Está Wally é uma linha de livros ilustrados que fizeram muito sucesso nos anos 80 e 90. Criado pelo inglês Martin Handford, a obra traz o personagem Wally em diversos locais espalhados pelo mundo, em viagens. Tornou-se comum, em ilustrações, o personagem se ‘esconder’ no cenário ou na multidão, onde a diversão é encontrar Wally.

 

 

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