Editorial: Mafia da merenda, tudo ainda a esclarecer

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Nesse caso, o melhor que Gil tem a fazer é pôr tudo às claras. Ou então, vão colocar mais um processo na longa lista que ele tem de responder atualmente

A máfia da merenda escolar, que a princípio parecia ser uma reunião de ladrões de galinha assaltando a dispensa das escolas paulistas acabou se revelando um grande esquema de corrupção e ladroagem que teria movimentado mais de R$ 200 milhões em 2013.

As primeiras revelações da polícia e do Ministério Público apontavam para vendedores e dirigentes de uma cooperativa do interior que, em conluio com funcionários públicos de prefeituras, dividiam o sobrepreço de licitações para compra de produtos alimentícios supostamente produzidos por famílias de pequenos agricultores.

Porém, à medida que o teor de depoimentos e confissões ia vindo a público, o tamanho da quadrilha e os valores envolvidos não pararam mais de crescer. Na verdade, o lanchinho magro das nossas crianças estava alimentando um enorme esquema de roubalheira que inclui grandes figuras do cenário político.

As denúncias atingiram, por exemplo, o presidente da Assembleia Legislativa paulista e o gabinete do secretário da Casa Civil de Geraldo Alckmin, ali, dentro do Palácio dos Bandeirantes, a poucos metros da mesa do governador.

Apenas no Estado de São Paulo, já há citações a 152 cidades em que pode ter havido algum tipo de irregularidade. Barueri está na lista. O que agrava a situação é que, até agora, apenas um nome de prefeito aparece citado nas investigações, justamente o de Gil Arantes.

Janela Editorial Merenda

Como ocorre nas ações de bandidos, as coisas nunca são muito claras. Na acusação contra Gil, por exemplo, a acusação diz que ele fechou um acordo para ficar com 30% do valor total do contrato, mas que nunca recebeu o dinheiro. E que apenas receberia se desse um jeito para que a cooperativa voltasse a vencer licitações.

O prefeito se defende dizendo que nunca conversou com os acusadores e até mandou abrir uma sindicância para apurar a participação de funcionários no esquema. O ato em si tem uma contradição, já que o prefeito é que foi denunciado e na história ele está mais no papel de investigado do que de investigador.

De qualquer forma, o melhor que Gil tem a fazer é esclarecer os fatos. Do contrário, vão colocar mais um processo na longa lista que ele tem que responder atualmente.

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