Com sumiço da fiscalização, comércio fura quarentena

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Leitores tem visto lojas e salão de beleza funcionando com hora marcada e um cliente por vez, o que ainda não foi permitido por decreto

Nesta semana, o Barueri na Rede recebeu denúncias de leitores que presenciaram lojas e salões de beleza abertos no centro. Os relatos são de que os estabelecimentos tem funcionado às escondidas, com hora marcada e atendendo um cliente por vez, o que ainda não foi permitido por decreto.

Um dos locais flagrados abertos no centro é uma loja de cosméticos/ Foto: Leitor BnR

Seguindo a determinação estadual (veja), Barueri publicou o decreto de prorrogação da quarentena até o dia 10/5. O texto foi divulgado no Jornal Oficial de Barueri de quinta-feira, 23/4 (página 2), e segue os moldes da primeira decretação de quarentena, em 23/3.

Assim, devem funcionar apenas os serviços essenciais, como farmácias, serviços de saúde, segurança pública e mercados. Não podem abrir para o atendimento presencial os shoppings, galerias, estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, casas noturnas, bares, academias e clubes recreativos. Padarias, restaurantes e pizzarias podem atender em sistema de delivery ou drive-thru (leia).

Na primeira prorrogação, que seria até 22/4, também foram incluídos na lista dos que podem funcionar o ramo da construção civil, óticas, comercialização de embalagem, bancos, estacionamentos perto de unidades de saúde e locadoras de veículos (saiba mais).

Porém, o BnR tem recebido relatos de leitores de que comerciantes do centro de Barueri tem funcionado normalmente. “Salão de beleza e lojas de roupas estão abrindo às escondidas, anunciando que vão atender com horário marcado, e um por vez”, disse uma leitora. “Umas estão atendendo com metade da porta aberta, e outras tem divulgado, nas redes sociais, que é só bater na porta que atendem”, relatou uma munícipe.

“No centro parece que ninguém está respeitando [a quarentena]. As lojas estão quase todas abrindo e tudo sem ser permitido. A fiscalização precisa ver isso que tem acontecido!”, afirmou outra, que completou que “se não tem fiscalização, a patroa dela já disse que também vai abrir”. “Depois de ter passado pelo centro e ter visto lojas e salões abertos, com viaturas passando e fingindo nem ver… acho que nem vale a pena, né?!”, questionou outro leitor.

Situação parecida tem acontecido na avenida Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, no Jardim Silveira. “O povo não leva a sério o que realmente é a quarentena. Minha cunhada trabalha no HMB e ela fala que tem muitos casos, porque será? As pessoas não respeitam, né?”, comentou outra leitora. Já no Centro Comercial, no Alphaville, há relatos de que lojas, como papelarias, tem atendido os clientes na porta.

Fiscalização frouxa

Com o decreto determinando as diretrizes da quarentena e isolamento social, as forças policiais do estado e municipais ficaram encarregadas de realizar a fiscalização do cumprimento às normas sociais para o combate à pandemia do covid-19.

No início da quarentena, em março, a prefeitura havia afirmado que a Guarda Municipal iria fazer a fiscalização de serviços que não poderiam estar abertos. No primeiro fim de semana, 53 bares foram fechados pelo força policial (leia).

Com o avanço dos dias, a adesão ao isolamento social começou a diminuir e muitos baruerienses passaram a ignorar a quarentena. As queixas e denúncias de desrespeito à quarentena cresceu na mesma medida que pessoas eram flagradas nas ruas.

Moradores tiraram fotos de famílias passeando pelas calçadas, caminhando nos parques e aglomerações em praças enquanto denunciavam que tanto a Polícia Militar como a Guarda Municipal ignoravam os pedidos para que os locais com aglomeração fossem checados.

No mesmo período em que a quarentena começou a ser afrouxada pelas pessoas, a secretaria de Segurança de Barueri deu férias compulsórias para 100 guardas (relembre), e dias depois foi confirmado pelo município que dez GCMs estavam infectados pela Covid-19.

A aparente falta de fiscalização das polícias têm preocupado alguns moradores. “Liguei para fazer uma denúncia de aglomeração no São Silvestre. Queria que a GCM fosse informar sobre as regras que não estava respeitando, mas não adiantou. Eles nem passaram na frente do local”, relatou uma leitora.

“Será que a segurança, Polícia Civil, Militar, poderia intervir, fazer vigilância periodicamente? Pois o povo está pensando que é férias. Por isso tudo fica pior”, alertou uma moradora em mensagem ao BnR.

Diante das situações relatadas, o Barueri na Rede procurou a prefeitura para saber se está sendo feita a fiscalização do comércio da região e os motivos de tantos flagras de pessoas desrespeitando as orientações de isolamento social.

Também foi questionado ao Governo do Estado de São Paulo sobre a atuação da Polícia Militar e a falta da suporte das polícia municipal no que corresponde à quarentena. Tanto a prefeitura de Barueri quanto o governo estadual não responderam até o fechamento desta reportagem.

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