Restrição de máscara de proteção revolta funcionários de PS

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Em documento, o Pronto Socorro Vanderson César de Almeida informa uma diferenciação de máscaras para médicos e enfermeiros

O Barueri na Rede recebeu, no início da semana, diversas reclamações de funcionários da saúde pública da cidade quanto aos cuidados contra o novo coronavírus nos hospitais municipais. Em um documento oficial que circula pelas redes, funcionários do Pronto Socorro Vanderson César de Almeida, no Jardim Itaparica, são informados de que todos deverão utilizar máscaras cirúrgicas, porém, somente médicos terão à disposição máscaras com maior proteção.

No informe do dia 18/3, o hospital repassa aos funcionários que todos os profissionais deverão utilizar a máscara cirúrgica como recomendado pela Vigilância Sanitária, trocando a cada duas horas. Além disso, no documento também é citado que a máscara N95, que protege mais que a comum, é recomendada somente para o uso médico em virtude do tipo de contato com o paciente.

Nas redes sociais, enfermeiros e técnicos de enfermagem começaram a questionar o documento, já que, assim como a equipe médica, enfermeiros também estão exposto a pacientes com suspeitas e confirmações da covid1-9. “Pois é, desde o dia 18/3, ninguém da equipe de enfermagem teve acesso a uma única unidade da máscara N95, e já sabemos o motivo”, reclama uma funcionária. “Não deve ser por falta, e sim porque está restrita apenas aos médicos”, relata ela.

Já outro funcionário cita que a parte administrativa dos hospitais municiais também teriam acesso a máscara com maior proteção. “Engraçado que na diretriz também estão usando a máscara N95”, ressalta ele.

Em conversa com o BnR, um profissional da saúde que trabalha no PS defendeu que a lógica adotada para proteção não faz o menor sentido. “Antes de chegar ao médico, o paciente tem contato com uma cadeia de pessoas: recepção, triagem, técnicos de raio X, enfermeiros… Ou seja, todos nós estaremos expostos, o que irá colocar outros pacientes que serão atendidos na sequência em risco. Não faz sentido diminuir a proteção de quem está na linha de frente”, argumenta.

Além disso, o enfermeiro lembrou que muitos profissionais podem trabalhar em outros locais, ou seja, a administração está assumindo o risco de que eles possam, eventualmente, expor pessoas de outras unidades de saúde. “Essa economia vai na contramão do que todas as autoridades estão recomendando”, alerta.

O informe circulou não apenas em grupos nas redes sociais de Barueri, mas também foi compartilhado por enfermeiros de outras cidades. “Alguém avisa que é a enfermagem que presta cuidados 24 horas”, desabafa uma enfermeira.

O Barueri na Rede questionou a Prefeitura de Barueri por meio da Secretaria de Comunicação (Secom) sobre o porquê apenas médicos poderiam usar uma máscara diferente. Também foi questionado se haverá revezamento das equipes de saúde e sobre uma denúncia de que funcionários do HMB não estariam recebendo máscaras de proteção.

Em relação ao informe publicado do Pronto Socorro Vanderson César de Almeida, em nota, a Secom disse que o documento mostra apenas uma parte do comunicado feito à equipe, omitindo o restante da informação. ‘Seguindo as recomendações da Vigilância Sanitária, todo profissional que tiver contato direto com paciente sintomático grave com suspeita de Covid-19, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e enfermagem e profissionais de limpeza em ambiente de entubação, incubação e outros, deve utilizar a máscara denominada N95, além de vários outros aparatos, como óculos, avental, touca, luvas etc.’

A nota também defende que ‘os demais profissionais que não tiverem contato direto com esse tipo de paciente e situação permanecem utilizando a máscara cirúrgica comum, com troca a cada duas horas, conforme protocolos nacionais, além de outros aparatos de segurança clínica’. Porém no documento à que o BnR teve acesso, é clara a recomendação no acesso ao equipamento N95 aos médicos.

Já em relação a falta de proteção a funcionários do HMB, a Prefeitura enviou uma nota negando a informação. “Da mesma forma, não é verdadeira a informação de que o HMB não dispõe de máscaras cirúrgicas para equipe e pacientes. Muito pelo contrário. O Hospital está até mesmo promovendo palestras e orientações sobre a importância do uso desse tipo de material”, informou em nota.

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