Prédio que desabou no centro tinha problemas estruturais, aponta IC

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Além disso, perícia encontrou problemas administrativos na construção. O mestre de obras que morreu soterrado não tinha contrato de trabalho

O Instituto de Criminalística (IC) apontou que o prédio comercial que desabou no centro em dezembro do ano passado tinha problemas estruturais. O desabamento causou a morte do mestre de obras Natanael Batista de Oliveira, de 37 anos, que ficou soterrado por uma laje (relembre). A reportagem é SPTV2 da TV Globo.

Segundo o estudo dos peritos, o desabamento da viga aconteceu porque os consolos, suportes feitos para sustentar as vigas de concreto, não tinham elementos estruturais adequados para a sustentação e resistência, conforme estabelecido pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Além disso, fotos mostraram que os consolos se soltaram e a viga, que estava entre eles, caiu, assim como placas pré-moldadas que serviriam como paredes.

O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e a perícia solicitaram ao dono da obra documentos considerados básicos para a construção e, de acordo com o relatório da perícia, os papeis entregues foram considerados insuficientes.

A obra que fica na rua Professor João da Mata e Luz, ao lado do estacionamento do Sameb e próximo do Ginásio José Corrêa, continua interditada e o terreno isolado com uma cerca metálica e blocos de concreto, que bloqueiam a passagem.

Também foram encontrados problemas administrativos na construção. O mestre de obras que morreu soterrado não tinha contrato de trabalho. Aos peritos, o advogado do dono do prédio disse que ‘o cliente não possui funcionários contratados para a execução da obra’.

A polícia aguarda a prefeitura de Barueri enviar documentos como o alvará da obra para decidir se a construtora e o dono do prédio vão ser processados por homicídio.

O responsável pela construção era Deividson Ulmam e o dono era Alberto Antônio Rodrigues. Ao Barueri na Rede, a prefeitura de Barueri informou que a obra teve o alvará de construção aprovado na Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo em fevereiro de 2019 (leia mais). Natanael Batista de Oliveira deixou uma mulher e dois filhos, de 12 e seis anos.