Paciente cardíaca está sem receita para medicamentos de alto custo há dois anos

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Além da falta dos medicamentos para glaucoma e prevenção de infarto, Marlene Silva não consegue se consultar com um cardiologista desde 2018

O Barueri na Rede recebeu em julho mais um relato da falta de medicamentos na saúde pública da cidade. Marlene Rosa da Silva, de 52 anos é cardíaca e não consegue fazer exames com um cardiologista desde 2018, além de não receber mais da rede pública de saúde dois medicamentos que fazem parte do tratamento. A última receita de alto custo que Marlene recebeu foi em setembro de 2017.

Hoje, a idosa recebe alguns medicamentos de uso contínuo, porém, faltam o colírio Travatan, para casos de glaucoma, além do Bissulfato de Clopidogrel para a prevenção de infartos. A ex-cabeleireira Marlene Rosa da Silva, de 52 anos, moradora do Engenho Novo relembra ao BnR que teve um infarto há quatro anos, e depois disso, não conseguiu mais trabalhar. “Passei por algumas coisas difíceis na vida, e já estava com ‘mini infartos’ frequentes. Na época, eu me consultava no pronto-socorro e me diziam que isso era depressão”, conta.

Mas o susto maior veio em agosto de 2015, quando a idosa teve um infarto. “Já não estava mais aguentando andar, minhas pernas pesavam e era dolorido chegar ao trabalho. Até que eu tive uma forte dor no estômago, e quando cheguei ao hospital tive um infarto”, relembra ela.

Na época, a moradora do Engenho Novo foi atendida no pronto-socorro do bairro, mas conseguiu uma transferência para o Hospital Municipal Dr. Francisco Moran (HMB). “Fiquei cinco dias internada na UTI no HMB, fui muito bem atendida e depois levada para o quarto. Como eu precisei passar por cateterismo, conseguiram uma vaga para mim no Hospital São Paulo, onde fiquei por mais oito dias”, revela a paciente.

Marlene relata que após o infarto ficou debilitada, e não conseguiu mais trabalhar no antigo emprego de cabeleireira. “Achei que não fosse sobreviver, mas quando o pesadelo acabou, vieram as sequelas. Fiquei com aneurisma em uma parte do coração, além de glaucoma nos dois olhos. Já debilitada fui ao INSS, onde disseram que por conta do atraso de pagamentos eu não tinha direito ao auxílio doença”, completa a idosa ao Barueri na Rede.

Com as sequelas, Marlene passou a ter que tomar medicamentos para glaucoma e prevenção de infarto,  além de passar regularmente por exames cardiológicos e consultas com um especialista, e sem trabalhar passou a depender da ajuda pública. “No início do tratamento ainda em 2015, eu recebia da farmácia de alto custo o clopidogrel 75g e o colírio Travatan para o glaucoma. Agora, desde o ano passado não consegui repor meu estoque dos dois medicamentos. O colírio já acabou e estou sem há uma semana, mesmo com o alerta do médico que eu poderia ficar cega sem o remédio”, desabafa Marlene. “Chego em uma consulta e me perguntam se não fui avisada que estão sem médico cardiologista. Outra ora sem médico para o glaucoma. Nessa brincadeira estou há um ano sem fazer meus exames”, termina a paciente.

Desde julho, o Barueri na Rede tem tentado contato com a Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), para saber sobre a falta dos medicamentos de Marlene, além da falta de médico cardiologista. Após algumas tentativas de contato, até o fechamento desta reportagem, o BnR não obteve respostas sobre o caso.

 

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