Moradores reclamam de árvores com riscos de queda

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Munícipes afirmam procurar órgãos responsáveis para poda e corte de árvores, mas que nada é feito 

Árvores ficam em terreno em declive no Engenho Novo/Foto: Arquivo pessoal

Por: Thiago Correia

Com as fortes chuvas dos últimos dias, árvores em diversos pontos da cidade acabaram caindo, como aconteceu no Jardim Belval, Vila Boa Vista e Alphaville (leia mais). A questão deixou munícipes de outros bairros preocupados com os riscos de queda de árvores próximas às suas residências.

Um desses munícipes é Regis Julio, morador do Engenho Novo. Ele conta que nos fundos de sua casa existe uma árvores de grande porte em um terreno declive com risco de queda. “Já acionei a Defesa Civil. Vieram até a minha casa, fizeram a ocorrência. Levei a mesma na Secretaria de Recursos Naturais e Meio-Ambiente (Sema) e parece que eles estão esperando a árvore cair pra tomar uma providência”, afirma ao Barueri na Rede.

A ocorrência foi registrada com a Defesa Civil em 21/1. Na descrição, é informado que quatro árvores, duas de grande porte e duas de pequeno porte, estão em terreno em declive com riscos de queda e vida aos moradores. A ocorrência diz que é “necessário intervenção técnica do órgão competente para podar e cortar árvores da cidade (Sema)”.

“Já tem anos que a gente corre atrás disso, mas tem um mês e alguns dias que tenho buscado alguma solução”, revela Regis. “Estive na Defesa Civil e eles disseram que estão isentos e que agora é com a secretaria de meio-ambiente”, informa o morador.

Árvore caiu há um ano e ficou somente o tronco, hoje tomado pelo mato/Foto: Arquivo pessoal

Quem também sofre para conseguir uma solução com poda ou corte de árvore é Natan Filho, morador do Jardim Graziela. Segundo ele, uma árvore tombada em seu quintal vai fazer “aniversário” de um ano. “Isso impede até a limpeza do terreno com um tronco daquele porte”, afirma. 

Natan explica que após a queda da árvore, ficou apenas o tronco no local. Ele diz que no ano passado procurou a Sema e mandaram um representante que o informou que seria feito agendamento para retirada do tronco, mas nada foi feito. “Ligamos novamente na secretaria, eles dizem que não tem previsão, outra hora falam que vai enviar outro representante e assim estamos”, lamenta o morador.
“O tronco está por baixo e o mato já tomou conta”, conclui o morador. Ele conta ainda que na segunda-feira, 25/2, uma árvore caiu na rua Rancharia, além de outra caída em paralelo à Estrada dos Romeiros.
Árvore caiu na rua Rancharia na última segunda-feira Foto: Arquivo pessoal
Outro caso é Rua Glória no Parque dos Camargos. Uma moradora afirma que uma árvore de grande porte está “colada” a um prédio. “Se ela cair, vai ser um estrago muito grande”, conta. “E tem outra que não é alta, porém fica bem no estacionamento dos carros. Os galhos atrapalham”, afirma.
Prefeitura sobre os casos
O BnR procurou a prefeitura sobre os casos citados na reportagem e informou que tem diversas vistorias nas ruas, mas que não conseguiram “identificar um episódio específico”. A nota afirma que a equipe técnica realiza vistorias em árvores conforme recebe os pedidos e que essas solicitações podem advir da população ou da Defesa Civil. “Após a vistoria a equipe define as prioridades, conforme o risco e a sinalização da Defesa Civil”.

Sobre quais procedimentos os moradores devem tomar com árvores em situação de risco, a nota informa que em caso de risco iminente, entendido como “perigo de acontecer um fato indesejado em curto prazo”, no caso da árvore por volta de 48 horas, acionar a Defesa Civil. Não havendo risco iminente, segue o processo da legislação ambiental, por meio da Sema.

Referente ao prazo para Sema ou Defesa Civil analisar e agira na retirada de árvores, a prefeitura afirma que em situação de risco iminente, o prazo é o “mais breve possível”; já em outros casos, “são definidas as prioridades”.

A nota esclarece que a “poda equivale a uma cirurgia na árvore e só deve ser executado em casos que realmente há necessidade” e que assim consegue manter a “sanidade dos exemplares arbóreos da cidade”. Também diz que “não se executa poda em exemplar que não precisa da intervenção, com risco de comprometer o estado e a longevidade da árvore” e que por isso é realizado vistoria técnica.

Sobre se há algum levantamento de árvores com risco de queda, a prefeitura diz que realiza vistorias diárias das árvores e que iniciou “inventário arbóreo dos espécimes em calçadas e praças, possibilitando conhecer o estado de saúde dos espécimes existentes no município”. Segundo dados da prefeitura, em 2018, foram realizadas 3780 podas, 756 cortes e emitidos 905 informativos técnicos sobre licenciamento ambiental de árvores. Em 2019, foram emitidos quase 200 pareceres sobre árvores.

A prefeitura lembra que é “responsável pela emissão de autorização de poda, corte e transplantes de árvores em logradouro público e particular, conforme legislação ambiental”, mas que a intervenção em árvores com autorização da Sema em área particular é de “responsabilidade do proprietário, devendo contratar profissional habilitado” e que o poder público executa intervenções em área pública ou quando o morador comprova “dificuldade financeira”.

Por fim, salienta que existem muitos pedidos de vistoria por árvores provocarem “sujeira”, como queda de folha ou pelo munícipe se incomodar com o exemplar, ligando para Sema ou Defesa Civil “dizendo que a árvore apresenta risco de queda, o que faz com que a equipe técnica seja deslocada sem a devida necessidade imediata”, o que demanda um filtro no atendimento, que nem sempre é fácil de identificar, principalmente após eventos de chuva forte.

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