Enfermeiro cria empresa para reciclar material hospitalar

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Éder é da Aldeia de Barueri e usa o conceito de simbiose industrial: transforma lixo em matéria-prima para novos produtos

Por Ingrid Miranda

Um barueriense de 36 anos, morador da Aldeia, decidiu criar um destino diferente para o lixo hospitalar: ele recicla e transforma os produtos para ser utilizados novamente.

A cooperativa onde o material hospitalar é reciclado fica localizada em Osasco/Fotos: Arquivo Pessoal

”Sou técnico de enfermagem e formado em administração de empresas. Trabalhava como auxiliar de enfermagem em um hospital de Osasco quando percebi que o lixo hospitalar poderia ter um destino diferente” conta ele ao Barueri na Rede. “Montei primeiramente um ferro velho também em Osasco, junto com dois sócios.” Neste primeiro momento, Éder e os sócios retiravam a matéria-prima simples (papelão, cobre e alumínio) deste hospital.

Em um determinado dia, no meio de uma mercadoria que estava no caminhão, os sócios encontraram um frasco de soro fisiológico de 100 ml. O colega de trabalho de Éder disse que a matéria-prima encontrada era valiosa, e que poderia ser reutilizada. “Foi quando surgiu a ideia de reciclar”, relatou entusiasmado o enfermeiro Eder Fortunato de Almeida.

Já com a matéria-prima, o material é separado e classificado para a reutilização/Fotos: Arquivo Pessoal

Hoje, ele mantém uma empresa, a Reciclyja Reciclagem Hospitalar, para reciclagem e reutilização de lixo hospitalar com o conceito de ‘simbiose industrial’, que transforma resíduos em matéria-prima para outras indústrias. O processo de pesquisa teve início na Fatec de Sorocaba, com análise e estudos sobre o impacto no processo microbiológico. O negócio funciona em Osasco, a matéria-prima é retirada em unidades de saúde da região, como hospitais, prontos-socorros, clínicas de hemodiálise e UBS. “Fazemos a reciclagem apenas dos frascos de soro, que não tiveram nenhum contato com materiais biológicos, além disso, a matéria-prima é submetida a lavagem e aquecimento de alta temperatura”, conta o enfermeiro.

“O processo de reciclagem consiste em diminuir a quantidade de lixo hospitalar fazendo com que haja um destino mais proveitoso. Além disso, transformamos os frascos de soro em novos produtos, como suporte de soro, suporte de braço ou sacos de lixo infectante, para que esse material de uma forma ou de outra possa ser usado novamente”, releva Eder.

A lixeira vermelha implantada em hospitais da região são usadas para a coleta de matéria-prima hospitalar/Fotos: Arquivo Pessoal

No início de 2019, a empresa de Eder começou a retirada de materiais no pronto-socorro do Parque dos Camargos e tem projetos para que o recolhimento de lixo hospitalar se estenda pelos hospitais da cidade. Em maio, além do Pronto Socorro do Parque dos Camargos, foram instaladas lixeiras para a coleta desse material hospitalar nos Pronto-Socorros do Parque Imperial e Engenho Novo. “Além de beneficiar o meio ambiente, a ideia é criar novos empregos na cidade, primeiramente criando um ponto para recebimento de matéria-prima, separação e armazenamento, e depois a elaboração de um ponto de distribuição dos produtos provenientes dos frascos aqui na cidade”, concluiu Eder.