Chacina de Osasco: recursos da defesa de GCM serão julgados nesta quarta

1367
- Publicidade -

Julgamento da maior chacina do estado pode ser anulado. Defesa de Sérgio Manhanhã está otimista 

A Justiça de São Paulo julga nesta quarta-feira, 24/7, os recursos apresentados pelas defesas do guarda municipal de Barueri Sérgio Manhanhã e dos policiais militares Fabrício Emmanuel Eleutério, Thiago Barbosa Henklain e Victor Cristilder Silva dos Santos no caso da maior chacina do estado – que deixou 23 mortos em agosto de 2015 nas cidades de Osasco e Barueri.

Os advogados dos quatro réus afirmaram que os elementos probatórios são frágeis e que não comprovam a ligação de seus clientes com os crimes aos quais são acusados. As defesas pedem que os desembargadores anulem a decisão do júri.

No caso do GCM, o advogado Abelardo Rocha contou ao Barueri na Rede que a defesa solicita recurso por duas razões: a primeira de que a principal prova usada pelo Ministério Público foi produzida ilegalmente. “Ela foi produto de um vasculhamento no celular do Sérgio Manhanhã, sem autorização judicial. Nem laudo tem”, afirma o advogado.

A segunda é por conta da decisão dos jurados, que foi totalmente contra a prova produzida durante o processo, a prova dos autos. “Durante o processo, nós provamos que ele [Manhanhã] não tinha competência para tirar os guardas do local de patrulhamento e há fotos que demonstram que as equipes, sob o comando do Sérgio, estavam no local onde deveriam estar”, alega Abelardo. “Ele [Manhanhã] foi condenado porque teria deslocado as viaturas do local onde deveriam estar para favorecer os matadores. Os jurados decidiram contra essa prova. Então o fundamento tem que ser anulado”, conclui.

Em outubro do ano passado, a defesa do policial militar Victor Cristilder pediu que a prova obtida por mensagens de celular de Manhanhã fosse considerada nula por ausência de autorização judicial prévia. O MP deu parecer favorável ao PM e disse que decisão precisava ser reformulada por ser “arbitrária e manifestamente contrária a prova dos autos” (relembre).

Sobre o julgamento do recurso, o advogado do GCM afirma estar ‘totalmente otimista’. “O procurador de justiça, que é o membro do Ministério Público (MP) que dá o parecer, concordou com a defesa. Tem um parecer do Ministério Público, do procurador geral de justiça, acatando totalmente esses dois pontos da defesa. Por isso, estou otimista”, revela.

Caso o júri seja anulado, o caso volta à primeira instância que irá designar um novo julgamento – retirando dos autos a prova obtida por meio ilícito. A defesa de Manhanhã pretende ainda a retirada do julgamento em Osasco. “Pedirei para levar para Barueri ou São Paulo, porque a juíza [de Osasco] está totalmente impedida. Ela buscou a condenação dos réus, ela chorou no final…”, contesta Abelardo.

Entenda o caso

O GCM e os policiais militares foram acusados de terem envolvimento em 17 dos 23 homicídios que ocorreram entre oito e 13 de agosto de 2015 nas cidades de Osasco e Barueri. Conhecida como “Chacina de Osasco”, os casos ocorreram em cerca de duas horas e de acordo com a acusação seria para vingar as mortes de um policial e de um guarda, dias antes. Em Barueri, foram duas mortes na Rua Irene, no Parque dos Camargos, e outra na Rua Carlos Lacerda, no Engenho Novo.

Investigações da Polícia Civil, Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público concluíram que o GCM Sérgio Manhanhã e o policiais militares Victor Cristilder, Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain cometeram os crimes do que é considerada a maior chacina do estado de São Paulo.

Eleutério foi condenado a 255 anos, sete meses e dez dias; Henklain a 247 anos, sete meses e dez dias e Cristilder a 119 anos, quatro meses e quatro dias. Todos estão em regime fechado no presídio militar Romão Gomes, na Vila Albertina, em São Paulo. Manhanhã foi condenado a 110 anos e dez meses, também em regime fechado. Ele cumpre a pena no presídio estadual de Tremembé, no interior do estado.

O Barueri na Rede fez uma série de reportagens sobre o caso. Leia aqui!

- Publicidade -