Após complicação, homem pode ter perna amputada no HMB

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Paciente veio do Recife tratar do dedo mindinho e dos rins em agosto, mas teve complicações no hospital

Alex teve uma parada cardiorrespiratória em novembro e está na UTI desde então/Foto: Arquivo pessoal

Alex de Carvalho Silva, de 33 anos, deu entrada no Hospital Municipal Dr. Francisco Moran (HMB) no dia 27 de agosto para tratar de uma infecção no dedo mindinho do pé. No hospital, foi diagnosticado também com problemas nos rins. Desde então, teve complicações e está na UTI do hospital.

Alex é diabético e já perdeu a visão devido à doença. Ele nasceu em Barueri e cresceu no Jardim Tupã. Havia viajado a Recife para morar com a esposa Luna. Mas logo que chegou à cidade pernambucana ficou doente. “Ele foi internado lá e eu pedi para que Luna o mandasse para ser internado aqui”, conta Jeane, mãe de Alex ao Barueri na Rede. A decisão foi tomada pois os documentos e endereço do filho ainda são de Barueri.

“Ele foi internado para tratar o dedo mindinho e dos rins [diagnosticado no próprio HMB]”, afirmou a esposa Luna ao BnR. Como era apenas para tratar a infecção, Alex trouxe apenas uma pequena mochila de roupas. “Mas isso se tornou em problemas respiratório e neurológicos”, conta a esposa.

“No final de novembro ele teve uma parada cardíaca de meia hora e está desacordado desde então. Tiveram que colocá-lo em coma induzido. O resultado é que a pequena infecção no dedo atingiu o pé e vão amputá-lo”, lamenta Luna. “Ele teve muitas complicações. [Os médicos] falam que é por causa da diabetes”, diz a esposa, que ainda está em Pernambuco, pois não conseguiu saída do trabalho para vir até Barueri cuidar do marido.

“Houve muita negligência. Demoraram muito para atendê-lo. A hemodiálise [por causa dos rins] foi feita quase dois meses depois de ele ter dado entrada no hospital. Já tinha tomado uma proporção maior”, revela a mãe de Alex, que acompanha o caso de perto.

Ela afirma ainda que ouviu de um médico que o dedo de Alex “não era prioridade”, mas que outros médicos disseram, posteriormente, que o dedo era “a ponta do iceberg”. Jeane ficou sabendo pelo diretor do hospital que seu filho teve uma infecção generalizada. “Usaram uma medicação que piorou bastante o pé dele”, afirma.

“Ele teve várias quedas de açúcar, por que não davam a comida da forma correta. Chegaram a me falar que ele teve até anemia”, lamenta Jeane. “Teve um dia que cheguei lá e tive que trocar a roupa dele, pois estava cheia de sangue. Dei banho, fiz curativo e o troquei. Mostrei o estado da roupa na administração”, desabafa a mãe, que revela não ter condições de estar 24 horas no hospital já que também tem problemas de saúde

“O diretor marcou uma consulta urgente pra mim, por que estou tendo picos de pressão alta. Minha pressão é altíssima. Então, conforme agrava a situação dele, a minha agrava junto”, conta Jeane.

O BnR procurou o HMB por meio da Secretaria de Comunicação (Secom) da prefeitura sobre o caso que, em nota, informou que o paciente deu entrada no dia 29/8 “apresentando um quadro gravíssimo de saúde, com diversas complicações e comorbidades (como necrose seca em um dos membros), em função de uma condição prévia de diabetes, que não foi tratada adequadamente durante anos anteriores”.

A nota afirma também que todas as complicações, inclusive uma possível amputação de membro do paciente, foram “situações decorrentes do não tratamento da doença pré-existente e não foram causadas por demora de atendimento ou por tratamento inadequado” do hospital. O HMB diz que Alex vem recebendo todo o atendimento necessário para o caso com uma equipe de especialistas, como médicos vasculares, nefrologistas, clínicos, dentre outros. E que está passando “por diversos exames para definição de conduta a ser tomada frente à gravidade do caso”.

O HMB também afirma que Alex “não reunia condições clínicas para passar por procedimento cirúrgico anteriormente”, e que por isso, a equipe médica realiza esforços para estabilizar o quadro de saúde, “tratando primeiro as comorbidades mais graves” para que seja possível realizar a cirurgia de amputação de membro devido a necrose. O hospital ainda esclarece que “a lesão foi tratada durante todo o período”.

Por fim, a nota informa que o paciente está recebendo o tratamento clínico indicado com “ministração de antibiótico, anticoagulação, anti-agregação e aquecimento do membro” e que a direção da unidade está à disposição do paciente e familiares para quaisquer esclarecimentos.

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