Capacitar para atender

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Atender bem exige equipamentos adequados e funcionários treinados, conta Leandro Kadeira após aventura quase trágica numa escada rolante

Leandro Kdeira é morador de Barueri há 17 anos. Formado em Gestão Pública, coordena um projeto social de esporte para Pessoas com Deficiência em Barueri e também é atleta da bocha paralímpica.
Leandro Kdeira é morador de Barueri há 17 anos. Formado em Gestão Pública, coordena um projeto social de esporte para Pessoas com Deficiência em Barueri e também é atleta da bocha paralímpica.

Costumo ir com frequência à capital de São Paulo, seja a trabalho ou a lazer. Até aí, nada de anormal. Em uma dessas idas de transporte público, na estação de trem da Barra Funda, elevador quebrado, fato supernormal também. Espero a chegada do funcionário da CPTM por alguns minutos para me auxiliar na escada rolante.

 – Bom dia. Vou agora posicionar a cadeira para subirmos. Ok?, disse o funcionário.

 – Olá. Tranquilo!, respondi.

Procedimento prévio realizado. Cadeira posicionada e iniciamos a subida. Até aí nenhuma novidade. 

Em dado momento, sinto que o encaixe na escada não aconteceu, a cadeira (eu), começou a voltar de costas, degrau por degrau – isso não foi avisado previamente -, me mantive tranquilo, ao contrário da minha tia que já havia subido as escadas e estava aos prantos, desesperada. Foi aí que o funcionário conseguiu controlar a situação e, ao contrário do Cunha, eu não caí e cheguei ileso na parte superior da estação. 

Passado esse momento “anormal “, fiz uma reclamação ao chefe do setor e segui meu trajeto. Você aí, que lê este relato, pode não estar acostumado a ver um cadeirante rolando escada abaixo todos os dias, fruto de alguma falha operacional, mas com certeza é ou já foi vítima de alguma empresa ou órgão que não cumpriu com suas atribuições por conta de funcionários sem a capacitação profissional adequada, – ou se a teve, não tem colocado em prática.

No caso da pessoa com deficiência, isso acontece na estação com elevador quebrado, no ônibus com o motorista que não tem o conhecimento para controlar a plataforma acessível – é o usuário que às vezes ensina como deve ser manejado o sistema – ou aquele atendimento onde o profissional não consegue atender uma pessoa com deficiência auditiva.

Certamente essa ineficiência no atendimento não é uma realidade somente do setor público. Ela acontece nas empresas também, e essas organizações privadas juntamente com as entidades públicas precisam aprender a atender aos diferentes públicos para evitar que os cidadãos sofram constrangimentos ou ameaças de violação de seus direitos. E esse atendimento qualificado passa por um local adequado com equipamentos facilitadores e um ótimo quadro de funcionários treinados.

“I have a dream”.

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