Até quando esperar?

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Valter Klenk fala da malha ferroviária de São Paulo, com suas mazelas administrativas, falhas e transtornos para o usuário, inclusive o barueriense

“Pedro pedreiro penseiro esperando o trem, manhã parece, carece de esperar também, para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém, Pedro pedreiro fica assim pensando, assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás…”    Pedro Pedreiro – Chico Buarque.

Valter Klenk, é formado em Comunicação Social, trabalha como Analista de Sistemas, nascido em Barueri, participou ativamente da vida cultural da cidade, no teatro, na música, na produção de curtas-metragens e saraus. Acha que sabe de quase tudo um pouco e quase tudo mal.
Valter Klenk, é formado em Comunicação Social, trabalha como Analista de Sistemas, nascido em Barueri, participou ativamente da vida cultural da cidade, no teatro, na música, na produção de curtas-metragens e saraus. Acha que sabe de quase tudo um pouco e quase tudo mal.

Trens da CPTM parados ou lentos, estações lotadas, caos no caminho casa-serviço-casa, empurra-empurra, estresse, horas tentando sair do inferno em que o transporte público se tornou.

Isso parece notícia? Pois já foi. E continuaria sendo se esses fatos fossem esporádicos. Como ocorrem cotidianamente, não surpreendem mais ninguém.

A falta de investimentos públicos no setor e os desvios de verba no esquema de cartel envolvendo as empresas Siemens e Alstom, durante os governos estaduais de Covas, Serra e Alckmin, são os grandes responsáveis  pelo sucateamento do transporte ferroviário na Grande São Paulo.  

O planejamento de ampliação das linhas de trens e metrôs até 2020 é lindo. Tem até linha da CPTM atendendo Alphaville. Mas, os projetos se recusam a sair do papel.

metro2020

Olhando para esse tipo de transporte, frente ao caos em que se encontra, pode parecer que ele é custoso e inadequado. Entretanto, ainda é a melhor alternativa de transporte para as regiões metropolitanas, cortando a cidade, enquanto carros, ônibus e caminhões se digladiam  nas pistas.

Pegue um trem, com toda sua deficiência, de Barueri até Pinheiros (eu fazia essa rota diariamente). Leva cerca de 40 minutos para percorrer os, aproximadamente, 22 quilômetros.

Agora tente fazer o percurso de Barueri até Alphaville (onde estou trabalhando agora). Demorei essa semana uma hora e 12 minutos (!) para cumprir cinco quilômetros. Ou seja, estou mais perto de casa, mas chego mais tarde.

Se não há investimentos nos trens, no caso dos ônibus da cidade, atendida hoje, e quase sempre, pela Benfica, parece uma afronta à população. Cobra-se o mesmo valor de passagem que se pratica em São Paulo quando, aqui, a quilometragem rodada é infinitamente menor, o que faz Barueri ter uma das tarifas mais caras do país, proporcionalmente.  

O alto preço não condiz com o serviço. Ônibus lotados obrigam o trabalhador a, invariavelmente,  esperar o próximo coletivo. Não dá pra entrar. Se entrar, não dá pra se mexer.

A lei orgânica do município, no seu artigo 90, diz que “É vedada a concessão de transporte coletivo com exclusividade para todo território municipal”. Ou seja, a lei não está sendo cumprida e a Benfica continua com um desserviço à população. 

No dia 4 de fevereiro deste ano, o prefeito Gil Arantes assinou o decreto 8.295 prorrogando o prazo de concessão da Benfica, pois não houve tempo (?) para conclusão do processo licitatório para dividir as linhas da cidade entre duas empresas.

Nessa toada, o trabalhador vive na espera. Espera o governador melhorar os trens, espera o prefeito conseguir tempo para a licitação, espera, cada vez mais, o trem e o ônibus chegarem… E nem consegue esperar sentado. Só se pegar a condução no início da linha…

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