Verde Rosa promete pintar o sete na avenida

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Gigante do Engenho Novo vai falar das sete artes e sobre a imaginação em seu desfile deste ano

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Bateria da Mocidade Verde Rosa na avenida em 2016/Foto: BnR

Com a autoridade de quem pode fazer a travessura que quiser, a Mocidade Verde Rosa decidiu pintar o sete na avenida em 2017. A escola do Engenho Novo pegou a expressão popular que significa “fazer arte”, para falar do mundo da música e da pintura, da dança e da literatura, do teatro e do cinema.

“Vamos exaltar a imaginação do artista, mas também da criança, mostrar a importância da arte para a Humanidade”, explica Leandro de Souza, o Lê de Souza, 33 anos, presidente da escola. A letra do samba fala até da importância terapêutica da arte para o corpo, a alma e o coração.

Para contar essa história, a Verde Rosa pretende levar para a avenida 500 componentes, oito alas, alegorias, comissão de frente, ala de baianas e uma bateria com 70 ritmistas. Como outras co-irmãs, a escola fez parcerias com as paulistanas Tom Maior e TUP para troca de experiências, componentes e fantasias. “Hoje, as escolas de Barueri precisam dessa estratégia para enriquecer o carnaval, mas isso é um recurso provisório”, explica Lê. “Em pouco tempo vamos caminhar com as próprias pernas.”

 

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Presidente Leandro e o filho Luan: quatro gerações de sambistas/Foto: M.V.R.

Leandro é representante de uma linhagem de sambistas. Seu avô, Sr. Manezinho, fundou em 1980 a Arrasta Sandália, uma das pioneiras do carnaval de Barueri. Seis anos depois, os pais de Lê, o lendário Mestre Régis e sua mulher, Léia, atual presidente da Liesb, criaram a Verde Rosa. Hoje, ele, como herdeiro desse legado, conduz a gigante do Engenho, campeã dos três últimos carnavais antes da paralisação, em 2000. Na quadra, por perto, sempre está seu filho, Luan, de um ano e dez meses, tamborim em punho, dando certeza da continuidade da tradição familiar.

A Verde Rosa teve papel fundamental na retomada do carnaval barueriense. Sambistas de todas as partes da cidade vinham tentando articular a volta dos desfiles, mas esbarravam em todo tipo de empecilho. Até que nas vésperas do Natal de 2014, o pessoal do Engenho decidiu fazer um tributo ao Mestre Régis, que havia morrido meses antes. Essa festa, realizada no Centro Cultural, serviu de incentivo para antigos dirigentes se mobilizarem. Em apenas dois meses foi criada a Liga da Escolas de Samba de Barueri (Liesb) e em fevereiro de 2015 o samba voltou para as ruas.

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Ensaio da Verde Rosa com a tradicional empolgação/Foto: M.V.R.

Leandro acredita que o carnaval vai retomar seu antigo brilho rapidamente. “Este ano já vai dar para notar grande diferença”, afirma. Para ele, apesar da falta de recursos, as escolas vivem o melhor momento desde a reestruturação. “Acho que no máximo em cinco anos vamos voltar a ter competição e escolas de alto nível.”

Por enquanto, a vida é dura. Os 15 anos de paralisação desarticularam a comunidade sambista de Barueri. “Tem uma geração inteira que não teve contato com as agremiações, não sabe a grandeza que tiveram nossas escolas”. Para ele, isso vai ter que ser reconstruído passo a passo, durante os próximos anos. “Mas a aceitação no bairro está sendo ótima, 70% dos componentes são jovens que nunca viram nosso carnaval.”

Mocidade Verde Rosa Desfila domingo, 26/2, às 21 horas

Ensaios: quintas, às 19 horas, na quadra (Avenida Capitão Francisco César, 711, Engenho Novo); domingos, na rua Maria Helena, Engenho Novo.

Presidente: Lê de Souza
Diretor de bateria: Mestre Bebê
Intérpretes: João Paulo, Alexandre e Tyganá
Porta-bandeira: Karina Gomes
Mestre-sala: Jeff

Enredo: No reinado da folia, Mocidade Verede Rosa pinta o sete
Autor do samba-enredo: Rômulo Zurosbik

(2x)
Amor, sacode ai. A Mocidade chegou
Sou Barueri
De verde e rosa espalhando alegria
Pintando o sete no reinado da folia

No Morro do Engenho a bateria explosão que contagia
Faz meu corpo arrepiar. Vem viver a emoção.
O espetáculo vai começar, é o dom do Criador
Deu de presente pra Humanidade
Obras que o destino revelou
Está na mente a criatividade
Estimula a superação
O dom da arte é terapia, remédio pra almo e o coração
Está presente no nosso dia a dia

(2x)
Eu vou cantar a noite inteira
Fazer sorrir o teu coração
A batucada lá do morro é só alegrai
No mundo da fascinação

No teatro e no cinema tem mocinho e tem vilão
Revelando em sua cena, a tristeza e a a emoção
Vou pintar nessa avenida, em multicor, oh Mona Lisa
Livro pra minha cultura, educação, literatura
Seguir de braços abertos eu vou
Rumo à bela escultura, salve o Rio de Janeiro
No alto é o Cristo Redentor
Aquele abraço a todo o povo brasileiro
A música e a dança o mundo transformou
O sonho de criança enfim realizou
Hoje eu lembro com saudade
Em Verde Rosa pinta minha Mocidade