Silêncio cerca caso de violência sexual em festa do grêmio da Fieb

6372

Mais de um mês após o caso, vítima só foi chamada para depor na última quarta-feira

Na terça-feira, 7/1, o Barueri na Rede noticiou o caso de uma adolescente de 16 anos, estudante da Fieb do Alphaville, que sofreu abuso sexual em uma festa do grêmio estudantil do colégio no fim de novembro de 2019 (relembre). Porém, mais de um mês após o ocorrido, a vítima foi chamada para depor somente na última quarta-feira, 8/1, um dia depois que a reportagem foi publicada. Ao mesmo tempo, autoridades procuradas para dar esclarecimentos a respeito do episódio recusam-se a se pronunciar.

De acordo com o Boletim de Ocorrência do caso, a adolescente foi abusada sexualmente no banheiro de um salão de festas por outro menor, também de 16 anos, após ingerir bebida alcoólica. “Não fomos chamados na delegacia desde o ocorrido com a minha filha, pelo contrário, ficamos correndo atrás durante esses 40 dias para saber sobre o andamento do caso”, conta a mãe da garota.

Vizinhos dizem que local onde houve a festa pertence a um vereador/Fotos: BnR

Outro fato, é que a família afirma que que as autoridades alegavam que o caso estava parado em razão dos laudos do Instituto de Criminalística de São Paulo, que ficaram prontos essa semana e apontaram que houve, sim, a prática de violência sexual e lesão corporal. “Eles nos diziam que só estavam esperando os laudos, mas só chamaram a minha filha para depor depois que saiu a matéria de vocês no jornal”, desabafa a mãe ao BnR.

A mãe da vítima afirma também, que o local foi alugado por outro aluno da instituição. “Por fim, fui saber que quem tinha alugado o salão era o responsável pelo grêmio, um adolescente também menor de idade”, contou a mãe indignada ao Barueri na Rede.

O salão de festas, que fica na rua Diógenes Ribeiro de Lima, número 10, no Jardim Belval, de acordo com informações de leitores, pertence a um vereador da cidade e é alvo de frequentes reclamações de som alto e bailes funk. O BnR já recebeu inúmeras mensagens de moradores da vizinhança reclamando que as autoridades ignoram os chamados para averiguação do local.

Outro ponto questionado por familiares de jovens que estavam na festa, é que a Guarda Municipal foi chamada pela família no dia do episódio, mas não compareceu ao salão, onde havia adolescentes menores de idade alcoolizados sob a alegação de que o local era em outro bairro, então os GCMs abordados não poderiam ajudar. “A Guarda só nos procurou no outro dia, e, mesmo assim, contamos sobre o abuso e não tivemos nenhum tipo de apoio”, relembra a mãe.

O Barueri na Rede procurou a assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Barueri para confirmar se o salão pertence a algum dos vereadores e sobre ser alugado a um menor de idade. Porém, até o fechamento da reportagem, não obteve respostas.

Em relação à Guarda Municipal de Barueri, o jornal procurou a prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), questionando a postura da GCM tanto sobre os queixas contra o salão quanto em relação ao chamado não atendido para a ocorrência no dia da festa, mas também não teve retorno.