Travesti é uma das vítimas encontradas no Parque dos Paturis em Carapicuíba

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Os dois seriam moradores de rua e um deles era conhecido como ‘Índio’

Na manhã de terça-feira, 26/2, foram encontrados dois homens mortos a facadas no banheiro do Parque dos Paturis. As vítimas seriam moradores de rua e usuários de drogas. Um deles também era conhecido na região como ‘Índio’, devido a sua estatura alta e os cabelos escuros.

Vítimas encontradas mortas no Parque dos Paturis eram moradores de rua e usuárias de drogas / Foto: divulgação

Os corpos foram encontrados nas dependências do parque. A informação inicial foi de que eles haviam sido decapitados, mas os cadáveres estavam inteiros. No local, havia muito sangue, as duas vítimas estavam caídas no chão – o corpo de Índio tinha sinais de defesa, com ferimentos no antebraço e no pulso, ele estava de bruços e só de cueca.

Já a travesti estava sentada sobre um colchão, encostada em uma das paredes do banheiro, que mede aproximadamente 1,8 x 3,0 metros, e descalça. Juntos aos corpos também foram encontrados um cobertor, uma mochila e uma lanterna jogada no chão.

A cena do crime foi considerada “chocante” por quem teve acesso ao local. A quantidade de sangue e a violência dos ferimentos podem ser um indicativo de que mais de uma pessoa poderia ter cometido os assassinatos.

Uma fonte ouvida pelo Carapicuíba na Rede, que preferiu não se identificar, levantou a hipótese de que, levando em conta o porte físico das vítimas, dificilmente um único agressor conseguiria matá-los. “Considerando a minha experiência na área de segurança, como uma só pessoa iria levá-los para lá e fazer isso? Se eles não conseguissem se defender, teriam pelo menos corrido”, afirmou.

Crime de homofobia

Ainda que não haja indícios de crime homofóbico, a morte de um travesti no Parque dos Paturis remete a uma história acontecida há mais de dez anos. Entre julho de 2007 a agosto de 2008, 13 homossexuais foram mortos no local. A maioria dos corpos foi encontrada de bruços, com tiros na nuca, seminus e com a calça abaixada – o que caracteriza crime de intolerância sexual.

Na época, as mortes ganharam grande repercussão e um sargento reformado da Polícia Militar chegou a ser apontado como o autor dos crimes e, posteriormente, inocentado das acusações.