Reintegração de posse em Carapicuíba ocorre de forma pacífica

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Desapropriação foi feita nesta quinta-feira, 12/9, de forma pacífica. Cento e vinte caminhões foram colocados à disposição dos moradores para fazer a mudança e deixar o terreno, que pertence à Cohab-SP 

Por: Caroline Rossetti e Thiago Correia

O dia 12/9 começou bem cedo para os moradores da ocupação da rua Alterosa, na Cohab 5, em Carapicuíba. Por volta das 4 horas, todos estavam acordados e inquietos com a ação de reintegração de posse, que os tiraria dali duas horas depois. Uma senhora, que vende doces, perambulava em meio aos barracos e outros tantos começavam a despedida do local que foi lar desde 2016.

De madrugada, foi colocado fogo em alguns pneus, que foi contido pelos bombeiros. Na parte da manhã, os focos de incêndio eram devido aos moradores que desocupavam os barracos e, depois de vazios, ateavam fogo/ Fotos: Thiago Correia – CnR

Logo pela manhã, luz e água foram cortadas das construções, que abrigaram mais de 700 famílias, e foi colocado fogo em alguns pneus, que foi contido pelos bombeiros. Mas, nos últimos dias, mais de 50% dos moradores já deixaram a comunidade, inclusive levando placas de madeira e telhado das casas embora. A outra metade, ficou para deixar o terreno nesta quinta-feira.

De forma pacífica, a desapropriação iniciou às 6 horas. Uma equipe de policiais militares, GCM’s de Carapicuíba, Barueri e Osasco, agentes da Defesa Civil da região, Corpo de Bombeiros, assistentes sociais, profissionais da secretaria de educação municipal, trânsito, obras, comunicação e da zoonoses acompanharam o cumprimento da decisão judicial movida no ano passado pela Cohab-SP, que é a dona da área (saiba mais).

Cento e vinte caminhões foram disponibilizados para as mudanças. Caminhões contratados pela prefeitura farão o transporte dentro do município, e os da Cohab, estado a fora

Para a mudança, 120 caminhões foram disponibilizados para os moradores, sendo 40 cedidos pela Cohab e 40 pela prefeitura – no decorrer da manhã, mais 40 caminhões terceirizados também chegaram no local. Aos poucos, as carrocerias eram preenchidas com os móveis de cada família. O destino, casa de parentes, casas de aluguel, tanto no município mesmo, como em outros bairros da capital e de outras cidades. Quem não tinha para onde levar os objetos pessoais, a Cohab levava os pertences para um galpão da Zona Norte que, em um período de um mês, deverão ser retirados de lá.

Alguns moradores foram embora, antes da reintegração, e deixaram cães e gatos para trás. Zoonoses fez o recolhimento dos pets. Quem não tem condições de cuidar do bichinho, pôde fazer a doação para a prefeitura, que os levará para a empresa terceirizada parceira, em Mairinque

No meio de tudo, ainda houve uma pequena confusão entre moradores e a equipe de Zoonoses, alegando que a prefeitura não estava dando atenção aos animais que foram deixados para trás, por quem já havia deixado a comunidade, e que poderiam morrer com a demolição iminente. Com gaiolas em mãos, a equipe de Zoonoses informou que recolheria todos os animais e faria um cadastro para os que ainda estavam com os donos.

A cada casa desocupada, a Defesa Civil fazia uma varredura para checar se não havia mais nenhum morador ou animal, e então, os tratores entraram para derrubar as construções. A cada descida de braço da máquina, todos no entorno, funcionários públicos, pessoas da comunidade e da imprensa – que acompanham o processo – ficavam em silêncio diante da cena. Assim como o bairro da Cohab 5, em si, que estava com as ruas do entorno da ocupação vazias e interditadas, além dos comércios e escolas fechadas.

Derrubada dos primeiros barracos começou por volta das 9h15. A previsão é de que o processo durará o dia todo

De acordo com a gestão municipal, a previsão é de a reintegração se encerre ainda nesta quinta. Ao fim, algumas partes dos barracos serão recolhidas pelo caminhão ‘catatreco’ da prefeitura, e o restante do entulho ficará no terreno até que a Cohab passe a propriedade para a cidade. Até então, a administração afirma que não pode ser feito nada no local.

A previsão é de que a área servirá para a construção de habitações populares, que respeitará a fila de espera da assistência social, em que há munícipes que estão no aguardo há mais de dez anos.

Confira mais fotos da reintegração de posse da rua Alterosa aqui.