Água do Mackenzie provoca divergências

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Secretaria de Saúde do município diz que foram detectados problemas com a água e que escola não renovou laudo. Mackenzie nega 

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Mais de 60 alunos passaram mal e precisaram de atendimento médico entre terça e quarta-feira 

Vigilância Sanitária, Sabesp e Mackenzie não se entendem sobre o controle de qualidade da água da escola, onde mais de 60 estudantes tiveram problemas gastrointestinais entre a noite de terça-feira, 27/9, e a manhã de quarta. Acusações, desmentidos, negativas e recuos se multiplicaram desde que a suposta contaminação vazou para as redes sociais e para a imprensa.

Na quinta-feira, o secretário municipal de Saúde de Barueri, médico Eduardo Menezes, afirmou que já em fevereiro um teste feito na água da escola apontou inconformidades na dosagem do cloro em alguns pontos. Essa análise deve ser feita a cada quatro meses, segundo ele, mas desde então o Mackenzie não teria apresentado outro laudo. A direção do colégio nega que tivesse que apresentar nova perícia e afirmou em nota ao BnR que outro exame está sendo finalizado.

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Eduardo Menezes, médico e secretário de Saúde de Barueri

O secretário também questiona nota divulgada pela Sabesp na noite de quarta-feira, segundo a qual a empresa tinha coletado amostras de água do cavalete de entrada do Mackenzie e em vários pontos do campus escolar sem encontrar problemas. Menezes afirmou que as análises feitas pela Vigilância Sanitária revelaram ausência total de cloro nos reservatórios de água do colégio, antes dos pontos de distribuição dos bebedouros. “O cloro é um agente básico e fundamental para impedir a proliferação de agentes que causam impurezas na água e a tornam insalubre”, disse ele. 

Nesta quinta, a Sabesp divulgou uma terceira nota em que se refere apenas às análises que teria feito em água recolhida do cavalete de entrada da escola. Antes, num segundo comunicado, havia afirmado que “a ausência de cloro na água do bebedouro é esperada, já que o mesmo dispõe de filtro justamente com a função de reter o cloro e eventuais impurezas decorrentes da tubulação interna do estabelecimento”.

Segundo Eduardo Menezes, apenas os testes nas amostras enviadas ao Instituto Adolfo Lutz pela Vigilância Sanitária poderão determinar se havia na água da escola algo que pudesse ter provocado o surto.

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Entrada do colégio Mackenzie Tamboré

O Mackenzie afirma que um laboratório privado também coletou água nos mesmo locais dos técnicos da prefeitura. Foram colhidas ainda amostras de comida servida nas lanchonetes do colégio. A instituição afirma que os resultados preliminares não encontraram nenhum problema tanto com a água como com os alimentos enviados para análise. Sobre o laudo apresentando em fevereiro, o colégio afirma, em nota, que “o documento está dentro da validade e disponível para consulta das autoridades”.

A prefeitura atualizou as informações sobre pessoas atendidas por causa do surto. Segundo os dados médicos de hospitais que prestaram atendimento, o número subiu de 55 para 61, todos estudantes do Mackenzie, mas nenhum caso é grave. A escola fala em 20 casos de seu conhecimento e que ainda espera o laudo do Instituto Adolfo Lutz sobre as possíveis causas dos problemas nos alunos. O colégio, além de suspender as aulas preventivamente até o fim de semana, providenciou a limpeza de todo o sistema de armazenamento e distribuição de água dos prédios onde estudam os alunos que passaram mal.

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