Prefeitura declara guerra aos ambulantes da cidade

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Gestão tem atuado para coibir o comércio nas calçadas. Camelôs queixam-se de falta de diálogo

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Blitz contra ambulantes do centro: região tem três operações por semana

A prefeitura de Barueri decidiu combater o comércio ambulante na cidade. Desde janeiro, a fiscalização foi intensificada e as apreensões de mercadorias passaram a ser feitas quase que diariamente nos vários pontos do município onde os camelôs se concentram.

A iniciativa levou os ambulantes a se organizar para tentar continuar trabalhando. Um grupo de cerca 80 vendedores tem procurado tanto os vereadores quanto a prefeitura para buscar uma alternativa. Eles atuam em todas as regiões do município, como os terminais do centro e do Jardim Silveira, a rua Campos Salles, o Parque Municipal e em áreas do Parque Imperial e do Parque dos Camargos, entre outros. A gestão municipal, no entanto, tem se mantido firme na decisão de não permitir a venda nas calçadas da cidade e os ambulantes reclamam da falta de diálogo.

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Aviso alerta contra ambulantes

Os camelôs afirmam que falta sensibilidade à gestão num momento de aumento generalizado do desemprego no país. O secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Joaldo Rodrigues, responsável pela ação, não acredita que a liberação dos ambulantes seja a solução para o problema. “Até porque o ambulante ilegal concorre com o comércio e pode fechar mais postos de trabalho, agravando a crise”, diz ele. Além disso, afirma o secretário, nem sempre os produtos atendem às exigências sanitárias.

Os vendedores também reivindicam espaço para trabalhar e a liberação de licenças, como prevê a legislação municipal. O secretário afirma que não há intenção de criar os chamados camelódromos, muito menos no bulevar, central, uma das reivindicações dos camelôs. Quanto à emissão de licenças, Joaldo Rodrigues afirma que ela só pode ser dada a moradores da cidade, e que a maioria dos vendedores de rua não reside em Barueri. Os ambulantes negam. “Quase todos nós moramos na cidade, alguns há muitos anos”, afirma um dos líderes do movimento que atua no Terminal Central.

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Mercadoria apreendida

A secretaria oferece aos camelôs cursos de qualificação mantidos pela pasta. “Os planos são aproveitar essa disposição dos ambulantes ilegais em trabalhar e fornecer-lhes as ferramentas para que virem empreendedores” afirma o secretário. “Ou encaminhá-los para um treinamento ou capacitação que os recoloque no mercado formal de trabalho.” Os camelôs respondem afirmando que precisam trabalhar agora para manter suas famílias e que oferecem um serviço público importante. “Basta ver a quantidade de gente que recorre aos nossos produtos”, afirma um vendedor.

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Terminal está na área das autuações

Enquanto isso, as autuações viraram rotina nos pontos de venda. No centro, as operações têm sido feitas praticamente três vezes por semana por fiscais com apoio da Guarda Municipal. Os ambulantes queixam-se de que as equipes agem com truculência. “Os fiscais trabalham com porretes e pedaços de madeira e ferro”, reclama um camelô do centro. “E os guardas sacam as armas por qualquer motivo.”

Segundo o secretário, a fiscalização inicialmente notifica o ambulante e se, a notificação não é atendida, a Guarda Municipal dá apoio para efetuar a apreensão. “Mas a orientação é para agir sem truculência e com muito respeito”, diz o secretário. Um vendedor, no entanto, denuncia que na semana anterior ao carnaval, ele foi abordado na rua do Paço, sem estar trabalhando, e os fiscais apreenderam mercadorias que estavam dentro de seu carro.