Multidão se despede de Nelson Alfaiate

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Conhecido pelo bom humor e generosidade, era mestre na arte da costura e da cozinha, que dedicava aos amigos 

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Uma multidão compareceu ao velório de Barueri na sexta-feira para se despedir de Nelson Batista de Oliveira, o Nelson Alfaiate, que morreu na véspera, aos 71 anos de idade. Figura popular e querida na cidade, ele faleceu em decorrência de problemas renais depois de ter ficado internado por um mês no Hospital Municipal de Barueri (HMB).

Nelson ficou conhecido não apenas pela maestria na confecção de roupas, mas também pelo bom coração e pelo hábito de abrir as portas de sua alfaiataria e de sua casa para receber amigos. Durante anos, seu ateliê de costura, no centro da cidade, foi um ponto de encontro para conversas sobre todos os assuntos.

Nascido em Cambará, no Paraná, ele chegou jovem a Barueri, nos anos de 1970. Nessa época, já havia abraçado a carreira de alfaiate, iniciada aos 14 anos de idade, e que iria tornar-se a razão de sua vida. Aqui, trabalhou na famosa alfaiataria Rilsan, primeiro na rua João da Mata e Luz, depois na Henriqueta Mendes Guerra. Há cerca de 30 anos, mudou-se com o parceiro José Pereira da Silva, o Mané, para um estabelecimento próprio na rua Jandira Guerra, a alfaiataria N&J. 

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Alfaiate desde os 14 anos, a profissão era sua vida

Em todo este período, formou uma clientela fiel que incluiu prefeitos, vereadores, juízes e empresários da cidade. Mas teve também clientes de fora do Brasil, de países como Estados Unidos e Líbano, que vinham encomendar ternos a ele, e figuras famosas do mundo artístico, como o sambista e humorista Mussum e Antônio Marcos, cantor que foi um dos maiores sucessos do país entre os anos 1960 e 1980.

Nelson era conhecido pela generosidade, demostrada pelo seu gosto em cozinhar para amigos e parentes. Sua casa sempre estava de portas abertas e também costumava fazer banquetes de fins de semana e jantares para amigos apenas pelo prazer de agradar. Apesar de sua bebida preferida ser a cerveja, também tornou-se famoso pelas batidas de frutas que fazia. Em sua alfaiataria nunca faltava um cachacinha para quem passasse, mesmo que não fosse cliente, e o lugar ela virou um ponto de happy hour para quem trabalhava no centro.

Famoso pelo bom humor, era conhecido por pregar trotes nos amigos. Um dos mais famosos consistia em pedir para alguém levar um volume para ele a São Paulo. Quem estava no destino era orientado e dizer que era engano. Quando a pessoa voltava com o pacote, descobria que tinha caído em um de seus contos.

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Com Aurora, companheira de mais de 50 anos

Mas também era vítima das gozações. Frequentemente penduravam placas de “luto” na porta da alfaiataria, o que provocava reações de choque nos conhecidos. Por isso, como forma de homenagem, amigos brincaram dizendo que não acreditavam que, agora, o anúncio de morte era verdadeiro.

Em dezembro de 2017, Nelson completou 50 anos de casado com dona Aurora. O casal teve quatro filhos, Wagner, Wilson, Washington e Kleber, e 11 netos. Com a morte do pai, ele também criou dos irmãos mais novos.