“Meu sonho é que Barueri seja um grande polo formador no Brasil”

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José Roberto Guimarães já conquistou tudo no vôlei. Morador de Barueri há 30 anos, agora ele quer manter um time de ponta na cidade e investir em escolinhas de vôlei e formação de novos jogadores

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Começa a tomar forma na segunda-feira, 31/10, o projeto de José Roberto Guimarães que pretende fazer de Barueri uma referência no voleibol brasileiro. Às 19h30, no ginásio José Correa, o GRB inicia a disputa por uma vaga na Superliga B de 2017 comandado por ele. Técnico da seleção, tricampeão olímpico, Zé Roberto diz que pretende devolver ao vôlei um pouco do que o vôlei lhe deu. E também quer aproveitar a infraestrutura e o enorme potencial da cidade para trabalhar com as crianças. Não apenas para formar futuros craques, mas porque acredita que o esporte é parte fundamental na educação. 

Enquanto procura patrocinadores, o técnico convenceu um grupo de jogadoras, algumas com passagens pela seleção, a abraçar a causa, e elas toparam. Há cerca de um mês, o time treina no Sportville, centro de treinamentos que Zé Roberto mantém em Barueri. Além dos patrocinadores e das atletas, ele quer atrair a população para o projeto. O primeiro passo é encher o José Correa segunda-feira. Nessa entrevista exclusiva ao Barueri na Rede, José Roberto Guimarães fala de tudo isso. 

Esse projeto é pontual, em razão de uma circunstância, ou é permanente?

A ideia é que ele seja permanente, que seja infinito enquanto dure. Ele tem uma razão de ser. Primeiro, da minha parte, é um sonho antigo montar um time em Barueri. Outra situação, é que Barueri é uma das cidades com melhor infraestrutura no Brasil, que sempre investiu em esportes, em todas as modalidades. São 14 ginásios cobertos. E sempre teve, além das escolinhas de todas as modalidades, categorias de base muito bem formadas que disputavam competições de federações estaduais. Por exemplo, das 14 jogadoras da seleção brasileira Sub-19 de vôlei feminino, que foi disputar o Campeonato Sul-americano em Uberaba, quatro foram formadas aqui em Barueri. É um número bastante significativo.

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Então começa com sua relação com Barueri?

Sim. Eu já estou aqui em torno de 30 anos e acho que esse é o momento, porque a cidade está sem nenhum esporte de competição, as equipes de base não estão funcionando e o que a gente gostaria é de resgatar esse potencial que a cidade tem. Eu tenho o centro de treinamento aqui, minha família, a maioria, é moradora de Barueri. Eu gostaria de aliar essas coisas, aproveitar a oportunidade de fazer algo pela cidade onde vivo.

E como será esse projeto. Você terá um time de alto rendimento…

… que é o espelho, que as crianças vão poder assistir, acompanhar, vão poder torcer e vão se entusiasmar a ponto de querer participar também.

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Você é um personagem que conquistou muito no vôlei, é uma das principais figuras da história do voleibol brasileiro e internacional. O que o atrai a isso?

Eu faço esporte, não sei fazer outra coisa a não ser esporte e também penso em devolver para o vôlei o que o vôlei me deu. Então, esse projeto é a possibilidade e a oportunidade de botar essa garotada toda para fazer esporte. E eu vejo que Barueri é um potencial incrível.

Você já conversou com as gestões municipais, a que está terminando o mandato e a que vai começar em janeiro?

Conversei com as duas, eles se prontificaram a ajudar no que fosse possível, acham que é importante e acredito que pode ser uma coisa tranquila, de a prefeitura nos ajudar a fazer esse trabalho.

A ajuda seria liberar a infraestrutura?

Isso. A prefeitura não pode pagar salários de jogadoras, de comissão técnica. Mas ela pode ceder o ginásio… nós temos um ginásio com capacidade de 5.400 mil pessoas… e os outros ginásios de bairros, onde a gente pode montar escolinhas, fazer treinamento de categorias de base. Esses professores que estão nas escolinhas são extremamente capacitados, a gente tem um material humano muito rico na cidade e temos que aproveitar isso. Então a questão é de trabalhar, de ter apoio e correr atrás. Eu estou tentando ajuda do setor privado e a gente já apresentou um projeto no governo federal por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

Como é a relação com o GRB?

O projeto tem que ter a participação da prefeitura, é muito mais fácil quando você tem a oportunidade de trabalhar junto, com a população e é o que eu quero, o que eu gostaria que acontecesse. O GRB é um clube já existente, filiado à Federação Paulista de Voleibol. Então, seria pelo GRB que essa continuidade nas categorias de base aconteceria.

Então o time formalmente vai jogar mesmo como GRB, independentemente de agregar o nome de um patrocinador?

Exatamente. Estamos conversando com empresas para patrocinar o time, que é de Barueri, que é o GRB, que é o clube inscrito nas federações.

p1060622Qual é a sua expectativa para o time? Como se treina um time em tão pouco tempo?

Primeiro, nesse projeto eu inverti o processo. Eu comecei a correr atrás de patrocínio, estava conversando com algumas empresas e percebi que isso necessitava de mais tempo. Então, decidi primeiro conversar com as jogadoras e seus procuradores e ver se elas não queriam abraçar essa causa. E começamos a treinar e concomitantemente correr atrás de patrocínio, trazer patrocinadores para ver o time que a gente tem, para ver que já está andando e que a gente precisa de alguém que nos apoie. E as jogadoras estão aí, treinando, e está acontecendo.

Se vencer o triangular seletivo (que será disputado de 31/10 a 2/11 no ginásio José Correa), você já tem um campeonato para disputar em 2017, a Superliga B. E se eventualmente você não passar?

A gente vai passar.

Está otimista? Conhece os outros times, tem alguma ameaça?

Sempre tem ameaça, mas a gente não entra para brincar, a gente entra para concorrer.

Você está com onze jogadoras, poderiam ser doze…

Eu comecei a falar com as jogadoras e com os procuradores e elas foram topando e aí eu comecei a receber muitos telefonemas de outras atletas que queriam vir. Só que é muita responsabilidade, eu não tenho nada, eu não tenho dinheiro para oferecer, eu só tenho trabalho, só tenho o desejo de fazer alguma coisa, então decidimos fechar com essas onze.

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O que você combinou com elas?

Que a gente vai trabalhar para arrumar patrocínio, tem várias conversas acontecendo para ver se a gente consegue alguma coisa. Mas efetivamente anda não tem nada.

Você vai ser o técnico?

Vou.

Agora, mas e depois, e a seleção?

Também. Eu tenho compromisso com a seleção, mas ela me dá possibilidade de dirigir clubes, eu não sou exclusivo. Poderia ser, mas não quero, eu quero fazer algo quando a seleção não está atuando. O ano da seleção, o ano internacional, começa dia 15 de maio e vai até 15 de outubro. Daí até 14 de maio é dos clubes. É onde acontece a Superliga e uma série de campeonatos.

Então você vai conseguir conciliar?

Eu consigo porque eu tenho essa liberdade concedida pela CBV, seja no Brasil seja fora. No Exterior eu já fiz, passei três anos dirigindo time na Itália e dois anos dirigindo time na Turquia.

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O que você diria para o torcedor?

Que a gente quer fazer um trabalho muito sério e precisa de todo mundo, a gente precisa do envolvimento da comunidade, a gente precisa do apoio da prefeitura, que ela abrace essa causa, dos patrocinadores para podermos massificar cada vez mais o vôlei em Barueri. O meu sonho seria que Barueri fosse um grande polo formador no Brasil. Isso é o que eu idealizo como meta, como uma coisa muito importante a realizar, um projeto de vida.

O time está criando uma expectativa na cidade.

Sim, eu vejo que já tem um movimento acontecendo, isso é muito legal, acho que essa possibilidade de a gente trazer esse campeonato para cá, no nosso ginásio, essa possibilidade de ter gente no ginásio nos apoiando, torcendo, vestindo a camisa de Barueri… acho que é tão legal isso, a população se identifica.


p1060614Faz parte das razões de ser do esporte…

Eu não vejo o esporte separado de educação, são coisas que caminham juntas e é uma forma de a gente fazer essa garotada praticar esporte. Muitos talvez não sejam profissionais, mas tem muitos caminhos por aí. O esporte abre muitas possibilidades, abre horizontes. Hoje, quatro meninas formadas aqui em Barueri estão na seleção brasileira Sub-19 e atuando pelo Bradesco porque acabaram as categorias de base aqui.

Você disse que tem uma carência do público ter uma referência, algo pelo que torcer…

Acho que as pessoas que moram em Barueri têm orgulho de morar aqui, de pertencer à cidade, de ver que a cidade melhorou, que está cada vez melhor. E quando você representa sua cidade, tem um valor muito grande, sobe a autoestima. É uma questão de orgulho, sabe, “hoje tem jogo”, Tantas equipes conseguiram esse apoio da cidade, das pessoas.