Familiares e amigos querem a solução do caso de envenenamento

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Polícia Civil investiga o que aconteceu no último sábado na praça das Bandeiras. Resultado da perícia está previsto para sexta-feira, 22/11

“Eles não faziam mal para ninguém. Só tinham o vício deles no álcool, o que reunia o grupo na praça das Bandeiras. Alguns guardavam carros perto da Padaria Central, para arrumar trocados, mas nenhum era morador de rua. Todos tinham família e amigos, que vão ter que viver sem eles agora, ou torcer pela recuperação dos que estão internados. É uma situação triste, que não pode ficar sem esclarecimento.” Assim é o compilado de conversas que o Barueri na Rede teve com parentes e amigos dos oito baruerienses que foram envenenados no último sábado, 16/11 (relembre).

Após compartilhar uma bebida na praça das Bandeiras próximo ao ponto de ônibus do lado da rua Duque de Caxias, o grupo de oito pessoas, sendo uma mulher, passou mal, foi socorrido e levado ao Pronto-Socorro Central (Sameb). Quatro deles, Denis da Silva, de 33 anos; Luiz Pereira da Silva, de 49 anos; Marlon Alves Gonçalves, de 39 anos; e Edson Sampaio da Silva, de 40 anos, morreram. Dos quatro sobreviventes, três receberam alta do do Hospital Municipal de Barueri (HMB) na manhã de quarta-feira, 20/11: Renilton Ribeiro, de 43 anos; Sidnei Ferreira de Araújo Leme, de 38 anos; e Silvia Helena Euripes, de 54 anos. A oitava vítima, Vinicius Salles Cardoso, teve prisão preventiva decretada por suspeita de ter contribuído para as mortes e está na Delegacia de Carapicuíba.

Ao BnR, amigas de Edson, um dos mortos, contaram que ele morava na Vila São Miguel. “Era meu vizinho e crescemos juntos, era uma boa pessoa. Ele trabalhou em uma casa de eventos na rua da Prata, mas já há algum tempo passava o dia na praça”, disse uma amiga. Ela afirma que na quinta-feira passada, 14/11, uma viatura da polícia esteve no local onde o grupo ficava. “Por ficar pedindo dinheiro para quem estacionava ali, muita gente do comércio em volta devia estar incomodada”, disse.

Outra amiga, que conhecia o grupo, falou que o vício do álcool levou os oito àquela situação. “Eles não faziam mal nenhum para ninguém. Alguns tinham aparência de mendigo porque estavam desaminados com a vida. Mas, eles tinham família e não precisavam estar nessa vida, estavam por causa do vício”, comentou.

Uma conhecida de Denis, que também não resistiu à intoxicação, contou que a casa dele era na rua Duque de Caxias, próximo à praça. “Era um menino de ouro, de família. Ainda não me conformo com a notícia, estou muito abalada.”

Já a ex-mulher de Luiz, outro dos mortos, contou que ele deixou dois filhos, uma menina de 13 e um menino de 18 anos. “Nesse caso, não envolveu uma vida só. Todos foram afetados, os que morreram, os que estão internados e os familiares, que têm que conviver com a dor. Meu filho se faz de forte, minha filha sente falta do pai. E aí, quem vai dar respaldo pra eles?”, desabafou.

Ela contou ao BnR que foi casada com Luiz por 18 anos, mas o alcoolismo fez com que o casal se separasse em agosto do ano passado. “Com a separação, ele tentou morar com a irmã, em Osasco, mas, voltou para as ruas Barueri. Depois de três meses, a Casa de Passagem da cidade o acolheu. Há 20 dias, ele tinha passado a frequentar o local apenas para dormir.” No albergue, a ex-mulher diz que Luiz chegou até a participar de uma peça de teatro, era alegre e se expressava muito bem.

A ex-mulher não se conforma com o que aconteceu e nunca acreditou na versão de que a garrafa de bebida teria sido trazida da Cracolândia para Barueri. “Para mim, essa história de um carro ter parado na praça e entregado a bebida faz mais sentido, porque o Luiz me falava que era assim que as coisas aconteciam na rua”, disse ela. “Não é possível que não tenham sido registradas imagens de nada na praça, já que ali é cheio de câmeras de segurança”, diz.

A irmã de um dos sobreviventes contou ao BnR que enquanto o irmão estava internado no HMB, o comentário pelos corredores era de que o caso foi uma ‘queima de arquivo e que depois de sair do hospital, eles teriam que ficar um tempo escondidos’. “Para ser realista, vai ser complicado seguir uma vida normal. Está sendo difícil para nós. Cada um fala uma coisa e a polícia não dá uma satisfação”, comentou.

Investigação

Depois de diversas versões do caso serem apontadas a cada dia após o suposto envenenamento no último sábado, Vinicius Salles Cardoso, um dos sobreviventes, teve a prisão temporária decretada por 30 dias na noite de terça-feira, 19/11 (saiba mais). A Polícia Civil continua investigando o caso e prevê que o laudo com o resultado da perícia da bebida ingerida pelas oito pessoas saia na sexta-feira, 22/11.