Falta de macas faz Sameb recusar pacientes

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Ao menos três vítimas de acidente de moto precisaram ser transferidas e paciente com suspeita de fratura na coluna foi obrigada a usar cadeira de rodas

“Não estamos pedindo reajuste salarial ou qualquer benefício. Queremos apenas condições de atender à população, que já é carente, com o mínimo de dignidade”. 

Essa foi uma das frases ditas ao Barueri na Rede por um funcionário do Pronto-Socorro Central (Sameb), diante do que considerou um absurdo. Ele se referia a uma das diversas situações presenciadas pela equipe do maior pronto atendimento de Barueri.

Segundo a prefeitura, o Sameb atende, em média, 1,5 mil pessoas por dia. O local tem 110 leitos e 30 macas para toda a demanda do pronto-socorro. / Fotos: BnR

Na manhã de terça-feira, 8/1, uma senhora em idade avançada, ao ser submetida a um exame de raios X por dores na coluna, foi diagnosticada com suspeita de fratura na coluna. Uma maca foi solicitada para que ela fosse transportada, mas os profissionais que a atendiam foram informados de que não havia nenhuma disponível. Mesmo diante da insistência do médico para que fosse providenciada a maca, ela precisou ser transportada de cadeira de rodas – a despeito do risco de a lesão se agravar.

Um dos funcionários que presenciaram a situação diz que ficou indignado e comovido. “O grito de dor que ela sentiu quando foi obrigada a sentar na cadeira de rodas doeu meu coração. Uma paciente assim, resiliente mesmo com tanta dor, fragilizada pela idade e circunstâncias, merecia mais cuidado e respeito”, desabafou.

Um dia antes, na segunda-feira, 7/1, duas vítimas de acidente entre carro e moto precisaram ser socorridas pelo resgate municipal e, ao serem levadas ao Sameb, tiveram o atendimento recusado pelo mesmo motivo: falta de maca. As duas pessoas estavam numa moto que foi atingida por um carro entre as alamedas Araguaia e a Rio Negro, no Alphaville. O motorista do automóvel fugiu sem prestar socorro.

As vítimas foram levadas ao Sameb, mas precisaram ser encaminhadas para o pronto-socorro do Jardim Silveira. Ou seja, o resgate municipal percorreu quase oito quilômetros do local do acidente até o Sameb, e de lá mais 6,5 quilômetros para que as vítimas pudessem receber atendimento.

No mesmo dia em que a paciente com suspeita de fratura na coluna foi obrigada a ser transportada numa cadeira de rodas, o que, segundo um dos profissionais do próprio Sameb, poderia deixá-la paraplégica, mais uma vítima de acidente de trânsito – um motociclista – teve o atendimento recusado e precisou, a exemplo dos demais, ser transferido para outro pronto-socorro da cidade. “As macas estão sendo usadas como leito aqui”, relatou outro funcionário.

Pacientes e acompanhantes de quem consegue ser atendido lotam os corredores da emergência
Questionada sobre a falta de macas e a utilização delas com leito, a prefeitura, por meio da Secom, respondeu que “quando o número de pacientes que necessitam de leitos excede a capacidade, o equipamento não tem outra opção senão utilizar macas para suprir essa demanda para não prejudicar o atendimento aos seus usuários”. Na mesma nota, são informados os números de leitos, macas e quantas pessoas são atendidas por dia, uma média 1,5 mil.
Os números relevam que, apesar de ser, segundo a prefeitura, “a unidade de saúde com maior fluxo da rede de pronto-atendimento”, o Sameb dispõe de 110 leitos no total, dentre adulto e infantil, e de 30 macas hidráulicas para uma demanda diária de cerca de 1,5 mil pessoas.