Ex-gestora do Sameb quer desconto para pagar atrasados, dizem servidores

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Segundo profissionais, Instituto Gerir propôs pagar 80% da dívida para evitar batalha judicial

Sameb foi administrado pelo Instituto Gerir até setembro de 2018/Fotos: BnR

Profissionais da área da saúde que trabalharam no Pronto-Socorro Central (Sameb) até setembro passado afirmam que estão sendo pressionados a abrir mão de parte de salários não pagos. Segundo eles, o Instituto Gerir, organização social (OS) que administrava o Sameb, ainda lhes deve metade do salário de julho e a totalidade dos meses de agosto e setembro e teria dito que pretende pagar os valores apenas parcialmente.

O Gerir foi responsável pelo Sameb a partir em 2017. No ano passado, a prefeitura decidiu trocar a administração e abriu uma licitação pública para contratar outra entidade. A Santa Casa de São Bernardo do Campo foi a vencedora, mas o resultado do certame foi impugnado e espera decisão judicial. Enquanto isso, a administração pública contratou em regime de urgência o Instituto Diretrizes, que já respondia pelo pronto-socorro do Parque Imperial.

Ocorre que, segundo os trabalhadores, o Gerir não pagou os salários de agosto e setembro e apenas metade de julho. Desde então, os servidores tentam receber. “Alguns colegas nossos estão enfrentando dificuldades financeiras, emprestando dinheiro em banco, e não conseguimos receber o que é nosso”, explica um funcionário que não quis se identificar.

Segundo servidores que procuraram o Barueri na Rede, na quinta-feira da semana passada, 17/1, houve uma reunião com o Gerir, que teria apresentado uma proposta de pagar 80% dos vencimentos de agosto e setembro. “Disseram que quem não aceitar, deve procurar a Justiça”, afirma uma ex-funcionária. “E sobre julho, não falaram nada.”

Pelo contrato de prestação de serviços, o município deveria repassar mensalmente um valor estipulado para o Gerir tocar o pronto-socorro. Em nota enviada ao BnR, a administração pública, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), afirmou que “todos os repasses contratuais à organização (Gerir) foram realizados regularmente”.

Não é a primeira vez que o desligamento de uma OS na área de saúde ameaça os salários dos funcionários. Em 2017, quando o Instituto Hygia deixou o Hospital Municipal (HMB), restou um dívida, em grande parte relativa a direitos trabalhistas. Como a prefeitura assume solidariamente os compromissos da contratada, teve que assumir os débitos para não prejudicar o funcionamento do hospital. Já prevendo que isso pode se repetir, a Secom afirmou ao BnR que “se for judicialmente responsabilizada por eventuais débitos, honrará pagamentos e cobrará o ressarcimento no foro adequado”.

O Barueri na Rede entrou em contato com o Instituto Gerir pedindo esclarecimentos sobre o caso e as informações passadas pelos funcionários mas não recebeu resposta.