Dona Maria: Final feliz no HMB

1861

Trabalho do Grupo de Apoio e Intervenção à Pele devolve qualidade de vida aos pacientes

Por Valter Klenk

O telefone tocou na casa de Ivan de Freitas, em São Paulo. Era o seu genro, ligando da Austrália, onde mora, pedindo que Ivan socorresse sua mãe, Maria Senhora, que estava passando uns dias na cidade de Itaobim, Minas Gerais. Dona Maria começou a sentir fortes dores na perna esquerda e não conseguia colocar o pé no chão. Prestativo, Ivan pegou um avião e foi buscar a senhora.

dona-maria-e-ivan2Já em São Paulo, começou a saga para encontrar um hospital que pudesse atendê-la. Ivan conta que em um deles lhe foi dito “Emergência, aqui, só tiro no peito”.  Como dona Maria mora em Barueri, Ivan trouxe-a ao Hospital Municipal de Barueri (HMB), onde foi diagnosticada com trombose. Era outubro de 2016.

A má circulação sanguínea causou feridas na perna de dona Maria e ela começou a pretejar. Em janeiro de 2017, a perna foi condenada. Iriam amputá-la. Nesse momento, entrou em cena o Grupo de Apoio e Intervenção à Pele (Gaip), do próprio HMB, que reúne médicos e enfermeiros de várias especialidades, e começaram a tratar as feridas de Dona Maria.

Doutora Fábia tratou de Dona Maria
Dr. Fábia tratou de Dona Maria

Com curativos diários, onde se aplicam remédios nacionais e importados, a equipe da doutora Fábia Batista, cardiologista e responsável pela enfermagem do Gaip, conseguiu reverter o quadro. “Tenho gravação dela fazendo curativo por mais de meia hora, tirando pele por pele” conta Ivan, com a voz embargada. “Isso eu só vi aqui”, chora. O choro dos agradecidos.

Fundado em 2009, o grupo tem residência dentro do próprio HMB e conta com enfermagem especializada em curativos, dermatologia, pequenas cirurgias, cardiologia e tratamento vascular – uma verdadeira equipe multidisciplinar. Focado na qualidade de vida, o grupo só parou suas atividades durante a gestão da OS Pró-Saúde, que considerou o gasto muito alto. Nem nas atuais paralisações, por conta da greve, as atividades foram interrompidas. “Vejo o quadro do paciente evoluindo e com uma interrupção, vai tudo por água abaixo” explica Fábia.

O custo com medicamentos fica entre 15 e 20 mil reais por mês. Alguns dos produtos são importados. A direção do hospital avaliou substituir as atividades do Gaip pelo Programa de Internação Domiciliar (PID), onde o paciente faz seu próprio curativo em sua residência. Entretanto, optaram pela manutenção do grupo, pois os resultados são melhores.

Dr. Radir - coordenador do Gaip
Dr. Radir – coordenador do Gaip

“Diminui gastos em outros setores, como por exemplo, reinternação” diz o doutor Radir Sabino, cirurgião e coordenador do Gaip. Os benefícios desse tipo de atendimento reduz substancialmente o risco de interrupção do tratamento e, por consequência, aumenta os casos de sucesso, pois o acompanhamento permite observar qualquer regressão no quadro. “Com o Gaip, abreviamos o tempo de internação, há um contato contínuo com o médico, com acesso mais fácil e maior aderência ao tratamento. Não perdemos o paciente de vista” explica o doutor Radir.

O atendimento, diário, é feito de forma continuada sem necessidade de entrar novamente na fila. São feitos mais de quinhentos curativos por mês e a maioria dos casos são por doenças como síndrome de Fournier, erisipela, pé diabético e doenças vasculares.

De acordo com o Ministério da Saúde, somente a trombose foi responsável por mais de 7,5 mil óbitos em todo o país em 2013 – esse número é o mais atual sobre mortes causadas pela doença.

Nesse mês de maio, dona Maria ainda faz curativos, entretanto, deixaram de ser diários e passaram a ser em dias alternados. Amparada pelo incansável Ivan, ela ainda manca um pouco, mas se mostra agradecida e feliz pela acolhida e pelo tratamento. “Muito obrigada” diz, emocionada. A perna está salva.