Mulher com problema nas artérias aguarda por cirurgia no HMB

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Paciente deu entrada no hospital com uma pequena área de necrose em um pé. Com a demora, a necrose evoluiu

Foto: Arquivo pessoal

Rosinalva Maria Ferreira da Silva, de 57 anos, está internada no Hospital Municipal de Barueri (HMB) desde o dia 28/11 após ser diagnosticada com obstrução nas artérias. Ela deu entrada no hospital com uma pequena área do pé direito necrosada mas, com a demora para realizar a cirurgia, a necrose evoluiu.

“Conversei com um dos médicos, dr. Flavio, no dia 7/12, que além de me explicar sobre o problema de saúde dela também disse que para realização da cirurgia precisaria confeccionar uma prótese e de uma UTI disponível”, contou o filho de Rosinalva, Thiago, ao Barueri na Rede. “Ele disse que o hospital estava esperando chegar o material da prótese e que precisava aguardar. Ok, esperamos”, revela.

Thiago relata que os médicos marcaram ao menos três vezes a data da cirurgia de sua mãe, que acabou não sendo feita. “Foi criada uma primeira expectativa de cirurgia para o dia 2/12. Colocaram minha mãe em jejum, mas não aconteceu. Criaram outra expectativa pro dia 3/12 e nada. Finalmente estava tudo certo pra cirurgia acontecer dia 11/12, mas um exame resultou em alterações plaquetárias e mais uma vez a cirurgia foi suspensa”, afirma.

“Quem é de fora, é acompanhante do paciente, percebe nitidamente que existe falta de vontade dos enfermeiros, falta de comunicação dos enfermeiros e, principalmente, falta de comunicação dos médicos”, alega Thiago. Segundo ele, no dia da primeira previsão de cirurgia de Rosinalva, uma médica subiu até o quarto e perguntou se ela já havia feito um eletrocardiograma. “Como é que um paciente está no dia de fazer a cirurgia e o médico sobe perguntando se ele fez determinado exame? Ele não tem o prontuário e histórico do paciente? Isso nos deixa com medo”, indaga.

Os dedos do pé direito de Rosinalva tinha uma área necrosada quando ela deu entrada no HMB. Com a demora na cirurgia para desobstrução das artérias, a necrose aumentou e ela corre o risco de perder todos os dedos/Foto: Arquivo pessoal

O filho de Rosinalva ainda revela outros descasos. De acordo com ele, há alguns dias, sua mãe precisou ir ao banheiro, mas sem encontrar assistência de algum enfermeiro para conduzi-la, acabou caindo. “Quando cheguei ela estava com dor na perna, o punho inchado e machucado”, afirma Thiago, informando que fizeram um raio-x apenas ontem, 12/12. “Por duas vezes encontrei minha mãe com o acesso endovenoso fora da veia, gerando assim um extravasamento e ocasionando edema local e dor. Nenhum profissional teve o cuidado para com o ocorrido”, conta.

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Ele lembra que a mãe chegou ao hospital, encaminhada do Pronto Socorro Central (Sameb), com diminuição da perfusão e com uma necrose no pé. Com a demora para cirurgia, o quadro piorou. “Com tantos dias [no hospital], a necrose evoluiu drasticamente sem nenhuma intervenção cirúrgica”, explica. “Enquanto isso o pé da minha mãe vai necrosando, vai apodrecendo e nada acontece. Se minha mãe tinha algum grau de amputação, ela já corre o risco de perder todos os dedos dos pés por negligência”, lamenta Thiago.

O Barueri na Rede procurou o HMB por meio da Secretaria de Comunicação (Secom) da prefeitura sobre o caso. Em nota, o HMB informou que Rosinalva ‘já deu entrada na unidade sem condições clínicas para passar pelo procedimento cirúrgico necessário’ e que ‘todas as tentativas de intervenção foram inviabilizadas pelo estado de saúde’.

A nota esclarece que, em relação à prótese, o material já está disponível mas que ‘a paciente ainda não apresenta condições para passar pela cirurgia’. E continua: ‘o HMB reforça que a paciente está recebendo toda a assistência necessária para o seu caso, com ministração de medicamentos e acompanhamento constante da equipe médica para assim que apresentar a melhora clínica adequada, o procedimento poder ser realizado’.