Médico assedia paciente durante consulta no Paulista

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Essa não seria a primeira vez que o profissional é acusado. O caso foi registrado como violação sexual mediante fraude

Um médico assediou um paciente durante uma consulta no Instituto de Atenção Básica e Avançada de Saúde Vanderson César de Almeida, no Jardim Paulista, na manhã de domingo, 24/11. Ao examinar um homem, o profissional Rubens Sousa de Oliveira teria passado a mão nas partes íntimas da vítima. O médico já responde pelo mesmo crime.

O caso aconteceu por volta das 10 horas. O médico atendia uma senhora levada ao local pelos dois filhos. Um deles teria contado o receio de adquirir diabetes e alegou sentir uma dor no braço. Foi então que o médico sugeriu que ele fizesse a ficha, para examiná-lo e solicitar exames.

“O doutor sentou ele [paciente] na cadeira, virou a cabeça dele para o lado da parede, esticou a mão dele e ficou passando a mão nos órgãos do paciente”, contou uma fonte ouvida pelo Barueri na Rede, que não quis ser identificada. “O paciente surtou, deu uns empurrões no doutor. Foi uma briga danada. O homem chorou, ficou indignado e começou a gritar ‘agora eu sei como uma mulher se sente’. Fez o maior escândalo”, relata.

A fonte diz ainda que o médico chorou e alegava que a porta estava aberta e que não tinha feito nada. “O paciente pegou ele [médico] pelo pescoço, levantou ele e perguntou ‘pra quê eu vou mentir? você é safado’. O irmão do paciente queria entrar na sala, as enfermeiras não deixaram e o doutor chorava e falava ‘você vai me prejudicar, eu tô te examinando”, narra.

O paciente chamou outro médico e questionou se aquele era o procedimento adotado para examinar uma pessoa com diabetes ou com algum tipo de dor. “O médico ficou quieto, não sabia o que falar. Foram para a delegacia e parece que ele vai ser transferido”, completa a fonte ouvida pelo BnR. “Esse doutor já responde por isto [assédio] e mesmo assim a gestão mantém ele atendendo as pessoas. Até horas extras ele faz”, conclui.

O BnR procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) sobre o caso. Em nota, o órgão informou que o caso foi registrado no DP Central e encaminhado ao 1º DP como violação sexual mediante fraude. A nota afirma ainda que foram solicitados exames periciais para a vítima e que diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.

BnR também procurou a prefeitura de Barueri sobre o caso. Em nota, a administração pública informou que o médico é servidor concursado do município e que já respondia a procedimento administrativo disciplinar, ‘inclusive sendo dada ciência ao Ministério Público, por denúncias idênticas à registrada agora’. A nota afirma que ‘apesar de até ter sido afastado preventivamente tão logo foram conhecidas as denúncias pela Administração Municipal, o servidor retomou sua atribuição porque ainda não foi possível concluir o Procedimento, haja vista que as testemunhas, muito embora tenham relatado os fatos, recusaram-se a registrar o Boletim de Ocorrência, condição indispensável para o desenrolar do processo e sem a qual os trâmites processuais tornam-se tortuosos e sobrepostos pela relação profissional médico/paciente’.

E continua: ‘entretanto, com esta nova incidência, registrada corretamente por meio de Boletim de Ocorrência – o que até deve motivar novas comunicações oficiais neste sentido –, outro Procedimento Administrativo Disciplinar foi instaurado, dentro da legalidade, sendo também comunicado ao Ministério Público, para que os interesses da população sejam defendidos de ações criminosas de forma legal, responsável, exemplar e irretratável, pois uma demissão sumária poderia ser revertida por decisão judicial de reintegração ao cargo público por não atender aos preceitos legais’.