Maternais: pais aprovam terceirização de escolas municipais

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Dezesseis maternais são gerenciadas por organizações sociais e outras unidades devem passar pelo processo de terceirização

Após várias reclamações de pais de alunos com o anúncio de terceirização da EMM Aracy Martins de Lima, do Jardim Belval, no meio do ano (relembre), a questão da prefeitura passar a administração das unidades escolares para outras empresas vem sendo discutida.

A preocupação dos pais com a adaptação dos filhos a novos professores é o principal ponto. “Esse é o meu maior receio, a separação dos alunos das ADIs que acompanham eles desde o ano passado. Uma nova fase de adaptação”, afirma uma mãe de aluno da EMM Aracy Martins de Lima, que não quis ser identificada.

Ela conta que o filho de dois anos é bastante apegado às “tias” e que além de temer pela adaptação pedagógica de sua criança, se preocupa por não ter encontrado informações da empresa que deve assumir a maternal. “Conheço algumas [empresas terceirizadas, inclusive já trabalhei em uma maternal terceirizada, porém essa empresa [Instituto Referência em Gestão Pública] não encontrei informações sobre eles”, explica.

Para Débora Azarias, que tem uma sobrinha de quatro anos na maternal Marly Teixeira de Almeida, no Jardim Paulista, a terceirização na unidade foi ‘vantajosa’ para profissionais e alunos. “Minha sobrinha é outra criança. Estava nítido a falta de comprometimento com ela”, afirma. Débora lembra que, à princípio, os pais não gostaram da mudança em pleno andamento do ano letivo – ocorreu entre junho e julho – mas que agora já estão acostumados. “Fez a diferença na vida das crianças”, exalta.

O mesmo que ocorreu com Luciana Lima, mãe de um menino de um ano e sete meses. “No dia que foi anunciado a terceirização, eu fiquei com medo. Mas depois que eles assumiram eu fiquei aliviada”, explica. O filho de Luciana também estuda na maternal do Paulista, que é gerenciada pela OS Filhos do Amanhã.

Ana Claudia Bueno, mãe de uma aluna da maternal Vitoria Regiani Assenza de Moura, no Jardim Iracema, que também foi terceirizada, conta que os pais fizeram mutirão pra barrar a terceirização, mas que no fim das contas a mudança foi boa. “A escola tem mais tias, ficou mais bonita, mais bem cuidada. Ela está fazendo [aulas] judô e ballet, além de inglês. Tem muito mais interesse em ir às aulas”, explica.

Maternais terceirizadas

Em Barueri, pelo menos 16 escolas maternais são gerenciadas por organizações sociais (OS), como Soleil – administra as unidades Lázara Augusta C. Sabatine e Zilá Marques de Castro, ambas do Parque Imperial – e Projab, que gerencia as maternais Luzia Maria da Conceição Lima (Jardim Belval), Maria do Carmo da Silva (Jardim Líbano) e Nelson Marques (Parque Imperial). A EMM Aracy Martins de Lima será a próxima. A lista completa pode ser consultada no site da prefeitura (aqui).

O Barueri na Rede procurou a prefeitura para saber quais outras unidades escolares do município passarão pelo processo de terceirização, mas não obteve respostas até o fechamento desta reportagem.

Também questionamos sobre o que acontece com os funcionários que trabalham nas escolas após a terceirização, se são mantidos, demitidos ou realocados, mas também não obtivemos respostas.