Empresa denuncia prefeitura por calote de R$ 737 mil

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De acordo com empresário, foi necessária intervenção policial para poder cobrar dívida atrasada

A W. Carvalho Comercial e Serviços Eireli, conhecida como Tapeçaria Wilson, denuncia a prefeitura de Barueri por falta de pagamento de serviços prestados. De acordo com o proprietário, o executivo municipal deve cerca de R$ 737 mil.

Protocolo realizado/Foto: Arquivo pessoal
Protocolo para pagamento da dívida/Foto: Arquivo pessoal

Na última segunda-feira, 17/9, Wilson Carvalho, um dos donos da W. Carvalho Comercial e Serviços Eireli, esteve na Secretaria de Suprimentos para cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 137 mil da prefeitura por serviços que a empresa prestou. “Fui protocolar os boletos para poder protestar. Não quiseram aceitar os boletos nem protocolar”, afirma o empresário ao Barueri na Rede.

“Acabei discutindo com o responsável pela parte de contratos. Foi um trocando ofensa com o outro. Chamaram a Guarda para me tirar de lá. O funcionário falou que iria me pegar lá fora”, conta. “No dia seguinte [terça-feira, 18/9] voltei lá e a secretária de Suprimentos [Sonia Maria di Fiori Soares] disse que não iria autorizar minha entrada. Chamei a Polícia Militar e acabaram me autorizando. Protocolei os boletos com vencimento para sexta-feira. Não foram pagos”, afirma Wilson.

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Compra de líquido gerador de espuma, destinado ao Corpo de Bombeiros, custou R$ 54 mil/Foto: Arquivo pessoal

Desses R$ 146 mil, R$ 48.348 foram para aquisição de uniformes para promoção social, R$ 54 mil para compra de líquido gerador de espuma para o Corpo de Bombeiros, R$ 25.482 em praticáveis para Secretaria de Cultura, R$ 1.810 em eletrodomésticos para a Secretaria de Saúde, e R$ 7.637 em um aspirador de pó e uma lavadora de alta pressão também para a Secretaria de Cultura. Todas as compras foram feitas entre o final de 2017 e início deste ano.

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Venda de sunga, maiô e outros uniformes para natação/Foto: Arquivo pessoal

Wilson ainda revela que a prefeitura não pagou quase R$ 600 mil em compra de itens para a área da saúde, como cadeiras, camas hospitalares e cama elétrica, que foram feitas sem licitação na gestão do então secretário de Suprimentos, Toninho Furlan, que pediu exoneração do cargo em maio após investigação da Polícia Federal por possíveis denúncias de corrupção na campanha eleitoral de 2016 (leia aqui). “Tínhamos outros contratos que parei de fornecer, porque já não estava recebendo”, conta o empresário, que deve levar seu caso ao  Ministério Público.

“Meu pai esteve com o Furlan em junho. Ele [Furlan] falou que pagaria, que era pra ter um pouquinho de paciência. Mas paciência tem limite. Não deu um prazo de quando pagaria, mas pelo que falou, indicava que seria em dois meses, o que não ocorreu”, explica.

Wilson conta ainda que no ano passado a empresa participaria de um pregão eletrônico. No entanto, dois dias antes foi aconselhado por uma pessoa da Secretaria de Serviços Municipais a não participar da concorrência. “Disseram que já tinha dono. Mandei mensagem para a pessoa que tinha ganhado e ela disse ‘me ajuda lá, não entra nele não. Esse pregão é meu. Eu já forneci’. Tipo, antes do pregão acontecer, já tinha um vencedor”, conclui.

O BnR procurou a prefeitura sobre as denúncias da W. Carvalho Comercial e Serviços Eireli, mas não obteve respostas até o fechamento desta matéria.