Chacina de Osasco: começa o julgamento de Victor Cristilder

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Júri popular acontece desde terça, 27/2, no Fórum de Osasco e tem previsão de término na sexta-feira, 2/3

Na última terça-feira, 27/2, começou o júri popular do policial militar Victor Cristilder no Fórum de Osasco, como divulgado pelo Barueri na Rede nos primeiros dias de fevereiro (veja aqui). O PM de Barueri é o quarto e último a ser julgado pela Chacina de Osasco, que aconteceu em agosto de 2015, considerada a maior do estado de São Paulo.

Cristilder estuda a própria defesa durante o julgamento/Foto: portal Uol
Cristilder estuda a própria defesa durante o julgamento/Foto: portal Uol

Assim como no julgamento da pré-chacina em Carapicuíba, Cristilder estudou o processo de ponta a ponta e ajuda o advogado João Carlos Campanini na própria defesa. O acusado permaneceu ontem com um caderno em mãos e auxiliou na elaboração de perguntas para as testemunhas.

A defesa do caso trabalha com a tese de que o PM foi confundido por uma testemunha com outro policial durante a chacina. Já a acusação, com o promotor Marcelo Oliveira à frente, reafirma o envolvimento de Cristilder por meio do reconhecimento de um sobrevivente e por uma mensagem enviada ao GCM Sérgio Manhanhã, já condenado a 100 anos de prisão, antes e depois dos ataques. Sérgio Manhanhã alegou inocência durante todo o processo e chegou a dizer que estava dentro do prédio da Guarda em Barueri no momento dos crimes (relembre o relato).

O júri popular para decidir se o réu é culpado ou inocente tem previsão inicial de durar até o final desta semana, sexta-feira, 2/3. A juíza que toca o plenário nestes quatro dias é Élia Kinosita Bullman, com a presença de sete jurados sorteados – sendo quatro homens e três mulheres – de 25 testemunhas, de membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e do presidente da comissão de prerrogativa da entidade em Osasco, Walter Camilo de Julio.

O julgamento de Cristilder acontece três meses após a condenação dos outros três agentes envolvidos na chacina, uma vez que a defesa do PM recorreu na Justiça e pediu o adiamento para ele ser julgado de forma separada.

O PM, de 32 anos, segue em prisão preventiva no presídio militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, por ter matado 12 pessoas e ter cometido a tentativa de assassinato de mais quatro. Além de ser acusado de formação de quadrilha, junto com os outros três agentes que já foram julgados e condenados, em novembro do ano passado (relembre).

Com o julgamento, o PM da Rota Fabrício Eleutério foi condenado a 255 anos de prisão; o PM Thiago Henklain a 247 anos; e o guarda-civil Sérgio Manhanhã a 100 anos.

Victor Cristilder ainda deverá ser julgado por crime de homicídio e ocultação de cadáver cometido em Carapicuíba, que caracterizou como uma pré-chacina, tendo acontecido dias antes da Chacina de Osasco.

Neste caso, o PM já havia sido absolvido em dezembro de 2016, porém, o Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo reformou a sentença. A data do novo júri popular ainda não foi definida.