Carlinhos acusa nova direção da câmara de perseguição

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Ex-presidente afirma que nova direção da casa têm apontado falsas irregularidades em sua gestão

 

 

Carlinhos e Fabião frente a frente: crise entre presidentes/Fotos: BnR

O ano começou tenso na Câmara de Barueri. Na primeira sessão de 2019, que também foi a primeira sob a presidência de Fabio Rhormens, o Fabião, realizada na terça-feira, 5/2, o clima de harmonia que sempre foi exaltado pelos vereadores foi substituído por acusações e denúncias.

O pivô da crise foi Carlinhos do Açougue, que presidiu a câmara por quatro anos até o fim do ano passado. Em discurso contundente, ele afirmou que vem sendo vítima de insinuações sobre irregularidades em suas gestões e atribuiu o fato à nova mesa diretora. A direção da casa hoje, além do presidente Fabião, é formada por Allan Miranda, vice-presidente; Wilson Zuffa, primeiro secretário; Neto Amorim, segundo secretário; Fabinho do Imperial, terceiro secretário; e Reinaldo Campos, tesoureiro.

Segundo Carlinhos, vários contratos assinados por ele estão sendo cancelados por Fabião, o que é rotineiro. Mas o ex-presidente afirma que os cancelamentos estão sendo justificados por terem supostamente encontrado irregularidades neles. “Foram falar para o prefeito, estão pressionando fornecedores, me difamando, e isso eu não vou aceitar”, disse ao Barueri na Rede. “Sou um homem correto, não aceito que sujem meu nome com objetivos que desconheço”, afirmou.

Na tribuna, Carlinhos exigiu que o Departamento Jurídico da casa elabore um relatório de todos os contratos assinados em suas duas gestões com os pareceres técnicos feitos na ocasião da assinatura e também na justificativa dos cancelamentos. “Quero levar ao Ministério Público para deixar as coisas bem claras”, declarou. “Vão ter que mostrar onde estou errado.”

Apesar de não citar nomes, a queixa mirou Fabião. O novo presidente da câmara, no entanto, não quis entrar na polêmica e apenas disse que não vai responder por boatos que circulam pela internet. Carlinhos rebateu afirmando que não são rumores e novamente citou o prefeito Rubens Furlan e fornecedores. “Foram questionar empresários, ameaçar”, disse ele.

As declarações de Carlinhos dividiram o plenário. Wilson Zuffa tomou a defesa de Fabião realçando que tudo não passa de boatos e pediu ponderação a Carlinhos. Chico Vilela recomendou que os dois presidentes sentassem para se entender, em nome da harmonia da casa. “Se alguém errou, que peça desculpas. Temos que fazer o melhor, que é o entendimento entre os presidentes”, disse. Toninho Furlan também insistiu no diálogo entre os dois.

Fabião afirmou que já havia convidado o ex-presidente para almoçar. Carlinhos respondeu que não pretende aceitar e deixou claro que não vai dar trégua diante de acusações. “Em quatro anos, eu devolvi mais de R$ 28 milhões para a prefeitura graças a contratos bem feitos, enxugamentos e gestão criteriosa”, ressaltou. “Não vou admitir que joguem meu nome na lama, e vou fiscalizar com lupa. Terão de fazer mais do que eu fiz.”