Bruna Furlan recebeu dinheiro irregular para campanha, diz jornal

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Delações de executivos da OAS à Operação Lava Jato apontam recebimento de R$ 800 mil pela deputada em 2019

A deputada Bruna Furlan (PSDB) recebeu ilegalmente doação de R$ 800 mil para a campanha eleitoral de 2010, quando foi eleita pela primeira vez. A informação, que consta de um conjunto de delações de ex-executivos da construtora OAS à Operação Lava Jato, é de reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada neste sábado, 9/3.

Segundo o jornal, a doação faz parte de um esquema conhecido como “caixa 3”. Na época, as empresas podiam doar a campanhas eleitorais até 2% de seu faturamento bruto. Para ultrapassar esse limite, a OAS acertava contratos superfaturados com empresas que lhe prestavam serviços e determinava que repassassem o valor excedente a candidatos na forma de doações de campanhas.

Deputada recebeu o dinheiro em sua primeira eleição

De acordo com a reportagem, 13 empresas citadas nas delações e que mantinham contratos com a OAS declararam à Justiça Eleitoral ter doado mais de R$ 5 milhões a 40 candidatos de 12 partidos políticos, entre 2010 e 2014. Nesta relação, aparecem o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), e os ex-governadores Sérgio Cabral e Tarso Genro. Duas das firmas da lista, a Singulare e a Selten, foram as doadoras dos R$ 800 mil à campanha de Bruna Furlan.

Além das doações declaradas, as delações apontam ainda a prática de um esquema de apoio financeiro camuflado aos candidatos. As empresas contratadas pela empreiteira bancavam gastos de campanha, como gráficas, pagamento a marqueteiros e advogados e até pesquisas eleitorais, sem declarar esses valores à Justiça. Não se sabe quanto dinheiro foi movimentado dessa forma.

Os depoimentos foram feitos aos promotores da Lava Jato por um setor da OAS chamado “Controladoria”, responsável pelos pagamentos ilegais da empreiteira.

O Barueri na Rede tentou contato com a assessoria da deputada Bruna Furlan, mas não obteve resposta.