Boato sobre sequestro de crianças espalha pânico

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Áudio de suposto guarda municipal ou PM nas redes sociais e aplicativos de mensagem dizia que crianças foram levadas no Parque Viana

Um áudio afirmando que duas crianças haviam sido sequestradas no Parque Viana, e que começou a circular na segunda-feira, 5/12, nas redes sociais, espalhou o pânico pela cidade. Na gravação, de 55 segundos de duração, um homem que se faz passar por um agente público de segurança (GCM ou PM) faz a denúncia e afirma que o patrulhamento está atrás de uma van branca com duas mulheres que teriam praticado o crime.

Ele usa expressões típicas da linguagem policial e recomenda que os pais redobrem o cuidado com seus filhos. Ainda segundo o homem, estaria havendo uma operação para capturar as criminosas e resgatar as vítimas. A gravação rapidamente se espalhou pela cidade e região e foi parar até em redações de grandes veículos de comunicação de São Paulo.

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Segundo o boato, o sequestro das crianças teria acontecido no Parque Viana

O Barueri na Rede teve acesso ao áudio às 16h21 de segunda-feira e desde então tentou confirmar a veracidade ou falsidade da denúncia. Na manhã de terça-feira, a GCM, o batalhão da PM em Barueri e a Polícia Civil garantiram ao site que não havia nenhuma ocorrência com esse teor e também que não foi dada nenhuma ordem para procurar o veículo com as características apontadas no áudio.

Ao mesmo tempo, o BnR ouviu policiais e guardas em serviço, que também negaram tanto a ocorrência quanto as orientações. A partir da tarde de terça, no entanto, nas redes sociais, em especial em grupos de GCMs, começaram a circular posts afirmando que o boato foi criado e espalhado por um agente da guarda.

Em resposta aos pedidos de esclarecimentos do BnR, a GCM afirmou que “com relação ao áudio, caso queira que seja apurado se ele foi efetivamente gravado e publicado por integrante da Guarda de Barueri, será necessário oficializar a solicitação na Corregedoria da Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana, a fim de que seja instaurado o procedimento administrativo, uma vez que tal informação não chegou ainda ao nosso conhecimento”.

Boato e morte

Em maio de 2014, uma página da rede Facebook que divulgava notícias de Guarujá, litoral paulista, publicou como verdade um boato sobre uma mulher que circulava pela cidade roubando crianças para rituais de magia negra. A página estampou um retrato falado da “bruxa”, que na verdade era de uma mulher acusada de tirar o filho do colo da mãe na saída de um hospital do Rio de Janeiro, dois anos antes.

No dia 3 de maio daquele ano, Fabiane Maria de Jesus de 33 anos, casada e mãe de duas crianças, foi apontada como sendo a criminosa quando ofereceu uma fruta a um menino na rua. O gesto, aliado ao fato de ela ser parecida com a pessoa do retrato falado, foi considerado uma tentativa de seduzir a criança. Fabiane foi então espancada durante mais de uma hora por uma multidão de cerca de cem pessoas. Ela morreria dois dias depois.

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