Barueriense preso por associação criminosa tem ‘histórico’ de ostentação

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Gustavo Souza da Silva, de 23 anos, é suspeito de recolher dinheiro de venda de drogas e repassar a chefes de quadrilha

No último dia 3/7, Gustavo Souza da Silva, de 23 anos, foi preso durante a operação Welfare, realizada para prender integrantes de organização criminosa. Ele é suspeito de recolher dinheiro de venda de drogas para repassar a uma facção criminosa em São Paulo. Segundo a investigação, Gustavo arrecadava cerca de R$ 800 mil por mês.

Ele teria chamado a atenção das autoridades ao apresentar um comportamento de ostentação nas redes sociais. No perfil do Facebook do jovem, que estudou na Emef Elídio Mantovani, no Parque dos Camargos, é possível ver publicações em que aparece com relógios e roupas de marcas, carros de luxo e em viagens, além de constar Miami, nos Estados Unidos, como “sua cidade atual Miami’.

Na maioria de suas publicações, a localização das fotos consta como nos Estados Unidos / Foto: Redes Sociais

O jovem, morador do Parque dos Camargos, tem uma clara paixão por motos e carros de luxo. Em uma foto publicada em fevereiro de 2015, Gustavo, que na época tinha 18 anos, já aparecia dentro de um carro de luxo, com um relógio de marca no braço e a legenda “a inveja te olha da cabeça aos pés procurando defeito em você, e quando acha comenta, quando não acha, inventa”. Em outra, ele posa para a foto em cima de uma moto de grande porte, com a legenda “virado no jet, maluco da favela”, com a hashtag Primeira de 2017, e a localização no Parque dos Camargos.

Já em 2017, Gustavo é visto com um bolo de dinheiro nas mãos; em outra publicação, se deixa fotografar com uma arma de fogo em um estande de tiros nos Estados Unidos. Fotos onde exibe de perfumes importados, viagens de navio e jantares caros –  também fora do país -, são quase um lugar comum na linha do tempo do jovem. Com a vida sempre exposta nas redes sociais, uma coisa chama a atenção: apesar do status de relacionamento ser “em um relacionamento sério”, Gustavo não expõe o nome da companheira.

De acordo com reportagem exibida no domingo, 7/7, pelo programa Fantástico, da TV Globo, durante a investigação, que durou sete meses, a polícia descobriu que a função de Gustavo no crime era o de recolher o dinheiro da venda de drogas e entregar aos chefes de quadrilhas. A investigação ainda apontou que ele pegava o dinheiro com pelo menos 19 mulheres e parentes de presos que comandam o tráfico em São Paulo – o que lhe rendia cerca de R$ 800 mil por mês.

De acordo com investigações, o jovem chegava a receber cerca de R$800 mil por mês

Outro ponto da operação revelou que parte do dinheiro, cerca de R$ 280 mil por mês, que Gustavo recolhia do tráfico, ia para o chamado “setor de ajuda”, um grupo da quadrilha que fica fora dos presídios e é encarregado de prestar auxílio a seus integrantes, uma espécie de “assistência social do crime”.

Ainda segundo a investigação, a mãe de Gustavo, que aparece ao lado do filho em fotos no perfil social do jovem, se casou com um americano e na adolescência ele chegou a morar nos EUA, e até a conseguiu a cidadania americana.

Em depoimento à polícia, Gustavo disse que ganhava pouco para pegar o dinheiro do tráfico e que ficava tirando foto do dinheiro dos outros, mas confessou o envolvimento no crime. Gustavo da Silva foi preso na operação Welfare com mais três homens e 19 mulheres e o caso está sendo investigado pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter 8), na região de Presidente Prudente.

Os investigadores de São Paulo devem fazer uma parceria com a Interpol para descobrir se ele praticou crimes nos Estados Unidos e se for condenado, pode pegar até 43 anos de prisão.