Banda DryLife lança CD e abre show do Dead Fish

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Após quase 15 anos de estrada, banda de hardcore barueriense lança primeiro disco dia 11, em Osasco

Por: Caroline Rossetti

A banda DryLife, de Barueri, fará o show de lançamento do disco Consumindo Ignorância no próximo dia 11/8, em Osasco. O line-up do evento ainda contará com uma das maiores influências da barueriense fechando a noite, o Dead Fish.

Banda foi formada no Parque Viana como power trio em 2004./Fotos: Gil Gonçalves - Cafofo Filmes e Estúdio The Wall
Banda foi formada no Parque Viana como power trio em 2004./Fotos: Gil Gonçalves – Cafofo Filmes e Estúdio The Wall

Após 14 anos de banda, os rapazes do DryLife se preparam para o show do primeiro álbum, gravado no estúdio Toth, em Guarulhos, com a produção de Fernando Uehara e Danilo Souza (Bullet Bane), e participação do ex-drylifer Nando Melo (atual integrante do Manual).

O Barueri na Rede acompanhou um ensaio do grupo no estúdio Rock Together, em São Paulo, e conversou com os músicos sobre a trajetória da banda, o lançamento do CD e a expectativa de dividir palco com uma das bandas mais representativas do hardcore nacional.

O caminho até a formação definitiva

A banda foi fundada em 2004, no Parque Viana. O grupo chegou a ter outros nomes, mas DryLife foi o que ficou. O escolhido veio do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e da ideia de ter um nome que soasse bem em inglês, assim como uma de suas maiores influências, o Dead Fish. “Além disso, o viés do livro tinha alguma coisa a ver com o conteúdo que queríamos passar durante os sons”, contou Marco, o único integrante que continua até hoje.

A primeira formação da banda – que começou da reunião de amigos nos fundos de uma autopeça – contava com Marco, Douglas e César. Com os rapazes cursando o ensino médio, alguns estudando no ITB, eles conheceram o atual baixista, Vini, e o guitarrista, Bill, com os quais passaram a dividir palco até a entrada oficial no DryLife, posteriormente.

Em 2009, antes de uma pausa de pouco mais de dois anos, a banda passou a ter Marco (bateria), Bill (guitarra), Nando – atual integrante do Manual (guitarra), Carlos (baixista) e César (vocal). Neste período de hiato, cada membro tocou seu projeto paralelo, como Carlos no Cretinos e Canalhas, no qual ele ainda participa, e no final de 2011 para 2012 um retorno passou a ser discutido.

Formação atual durante ensaio no Estúdio The Wall, em Osasco. Da esquerda para a direita: Caio (bateria), Vini (baixo), Marco (vocal), Carlos (guitarra) e Bill (guitarra)
Formação atual durante ensaio no Estúdio The Wall, em Osasco. Da esquerda para a direita: Caio (bateria), Vini (baixo), Marco (vocal), Carlos (guitarra) e Bill (guitarra)

Mas, a volta definitiva aconteceu só em setembro de 2017 com os integrantes atuais, Marco Nascimento no vocal, Carlos Lima na guitarra, Milton Araújo (Bill) na guitarra, Vinícius Soares (Vini) no baixo e Caio Rossetti na bateria. “Foi meio que surpreendente, por que a gente levou o baterista para o vocal e trouxe um baterista literalmente novo. Agora, finalmente encontramos o nosso som”, afirmou Bill.

Sobre as influências, a banda contou que cada integrante tem uma vertente dentro do hardcore, o que produz a mistura do DryLife. Além de Dead Fish, que fez com que o grupo praticamente nascesse como cover, o som ganhou a bagagem da cena independente com Garage Fuzz, Sugar Kane e Street Bulldogs, e mais recente, com a entrada do novo baterista, Caio, a renovação veio com toques de Pense e Bullet Bane. De bandas gringas, a inspiração está em nomes como Pennywise, Bad Religion, NOFX, Strike Anywhere, Comeback Kid, No Trigger e A Wilhelm Scream. 

EP até o novo, e primeiro, disco de estúdio

O primeiro, e único, registro feito antes do novo disco Consumindo Ignorância (2018) data de 2005. O EP foi gravado ao vivo em um pequeno estúdio em Carapicuíba. “Era um material bem simples. Foi a primeira gravação de Moda e Ressaca, que tocamos até hoje e que também estão no CD”, contou Marco.

Depois disso, a banda batalhou para fazer outras duas gravações, em 2009, antes da pausa, e em 2012, depois da volta, mas ambas não se concretizaram. “Na época, acabou virando meio que um trauma o lance de gravar”, lembrou Bill.

Desde então, a ideia de entrar em estúdio para gravar continuou pairando sobre a banda e no primeiro ensaio com a formação atual, no final do ano passado, o disco começou a ser planejado. “Dessa vez, a gente já sabia onde iria gravar, que ia ser no Toth com os caras do Bullet Bane, e tinha certeza de que precisava de um material para fazer a divulgação e ser um cartão de visita”, comentou Marco, que completou “só está dando certo hoje porque a gente voltou focado em gravar”.

Gravação, masterização e mixagem do disco foram feitas em Guarulhos, a quase 60 km de Barueri
Gravação, masterização e mixagem do disco foram feitas em Guarulhos, a quase 60 km de Barueri

Os ensaios passaram a ter a meta de deixar toda a produção musical dos 14 anos de banda cem por cento. “Como as músicas são muito antigas, cada um lembrava de uma parte das letras. Tivemos que parar e revisar tudo”, contou o guitarrista Bill. Além disso, com a nova formação, a afinação dos instrumentos teve que mudar, para adequar à voz de Marco – que passou da bateria para o vocal.

Com toda a massa de composição do disco acompanhando a banda há anos, a nova formação imprimiu sua identidade em cima das letras produzidas pelos jovens drylifers, ainda em época de escola, Marco e Bill – que continuam na banda, e Douglas e Nando – ex-integrantes.

Em um período de seis meses de ensaio, a banda partiu para a gravação de Consumindo Ignorância, em abril de 2018. A escolha do estúdio de gravação, o Toth em Guarulhos, veio da admiração pelo trabalho de Fernando Uehara e Danilo Souza, guitarristas do Bullet Bane, que administram o espaço.

“Queríamos alguém que escutasse nosso som e preservasse algumas coisas do hardcore paulista mais antigo. Sem tanta guitarra trabalhada, nem letras difíceis de entender, a gente queria um som de quando a gente era mais novo e se sentia bem”, contou Bill, que completou “e eles abraçaram isso. Parecia que já acompanhavam a gente há mais de 10 anos”.

Uma das curiosidades da gravação do disco foi que no dia em que estava marcado para fazer os baixos das canções, Vini esqueceu as cordas novas do instrumento em casa, em Barueri, há mais de 60 km do estúdio. Enquanto isso, as partes da bateria foram adiantadas até a volta do baixista.

Fazer o disco com os integrantes do Bullet, mesmo que bem longe de casa, trouxe a oportunidade de ter a participação de ambos em algumas faixas. Outro nome que aparece em collab é de Nando Melo, ex-drylifer e atual Manual. O vocalista Marco contou para o BnR que sempre foi vontade da banda trazer Nando para o disco, que foi chamado para cantar em A Nova Lei e acabou fazendo backing vocal em outras músicas.  “Eu acho que o disco não seria o mesmo se não tivesse a participação dos caras e dele, nosso 6º drylifer que vai sempre estar ligado à banda”, disse Marco.

A música de trabalho escolhida foi Nações Unidas (ouça), que também abre o CD. A banda contou que ela foi a última composta antes da parada em 2012 e que, mesmo não sendo inédita, ela soa como nova. “A gente já estava tocando as outras músicas a tanto tempo que quando Nações Unidas veio, nos últimos ensaios para fechar o CD, foi uma injeção de ânimo”, contou Marco.

As 12 faixas do álbum giram em torno da crítica ao sistema, à política e ao que está errado na sociedade (escute SistemaA Nova Lei e Moda). O DryLife atribui o tema à influência de Dead Fish. “É o que crescemos ouvindo em Afasia (2001) e Sonho Médio (1999), e isso vem da essência do punk rock”, afirma o baixista Vini.

Os meninos relembram que, quando as músicas foram feitas, eles nem imaginavam que o Brasil poderia chegar no caos que está hoje. “Com a crise em que o país está, nossa produção acabou ficando atemporal e muito atual”, constatou o vocal Marco.

“Essa liberdade de poder questionar o que está errado é nossa mensagem. Nós não temos rótulos, nem queremos persuadir ninguém, o que queremos é que as pessoas pensem no que estão fazendo e demonstrem suas ideias”, afirmou Bill.

O disco foi liberado nas plataformas digitais, como SpotifyDeezer, no último dia 30/6. Já o lançamento do material físico está marcado para o show do dia 11/8, em Osasco. Acompanhe o DryLife no FacebookInstagram e YouTube.

Expectativa para o show de lançamento

Primeiro show da nova formação foi em junho de 2018 no Kudo Pinguim, no Parque Viana
Primeiro show da nova formação foi em junho de 2018 no Kudo Pinguim, no Parque Viana

O DryLife apresentará o show de lançamento de Consumindo Ignorância no sábado, 11/8, durante o Z/O Atomic Festival, no Embaixada de Osasco. O evento também terá as bandas Dead Fish, Forgotten Boys, Pallets e Nove Zero Nove.

A banda barueriense contou que esse era o lançamento, e ressurgimento, almejado e planejado que se tornou realidade, e que será um grande ensaio aberto. O guitarrista Bill afirmou que cada passo está sendo um sonho realizado. “A gente tinha o sonho de gravar um CD, e está aí; tinha o sonho de tocar com os caras [Dead Fish] que, praticamente, fizeram o DryLife ser o que é hoje. Então para gente é sensacional, não tenho nem palavras”.

“O Dead Fish é o pioneiro da cena hc. Eu cresci ouvindo eles. Sonho Médio foi o primeiro disco que eu ouvi e disse: “é isso aí que eu quero tocar”. E fazer esse som com os caras, não poderia ser melhor”, ressaltou o vocal Marco. Para o baterista Caio, a expectativa é para o show da própria banda. “O negócio vai ser ir lá e tocar bem, depois vai ser só curtir o show deles”.

Os ingressos para o festival estão à venda no site da Ticket Brasil (neste link).