Aumento da violência faz Demutran armar agentes

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Departamento já está treinando suas equipes para uso de armas não letais. Agentes relatam frequentes casos de agressões e ameaças por motoristas

 

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Agentes alegam que atuam expostos na rua e sem proteção e aprovam a medida, mas reivindicam adicional por risco de vida/Foto: Secom-PMB

Preocupado com o aumento da violência contra seus agentes, o Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) de Barueri pretende equipá-los com armas não letais. Apesar de a medida ainda não ter data de implantação, os agentes já estão sendo treinados para o manuseio de tonfas e em breve deve começar a capacitação para o uso de pistolas de choque elétrico.

As tonfas são bastões semelhantes a cassetetes, originárias das lutas marciais da Ásia, que têm uma haste perpendicular que serve de empunhadura para ações de ataque e defesa. As pistolas elétricas são armas que transmitem uma corrente elétrica que paralisa a vítima por alguns instantes.

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As tonfas são originárias das artes marciais da Ásia

Segundo o Demutran, a intenção é defender a integridade física dos agentes. Em nota enviada ao Barueri na Rede, o departamento afirma que “há vários relatos e registros de ocorrência policiais envolvendo os agentes de trânsito, durante sua jornada de trabalho, como vítima de violência física, ameaças, desacatos, prejudicando sobremaneira sua integridade física e psíquica”.

O BnR ouviu vários agentes e todos afirmaram ser favoráveis à medida. Segundo eles, tem crescido o número de agressões e ameaças por parte de motoristas, especialmente em casos de autuações por infrações de trânsito. Dois deles registraram boletins de ocorrência após ter sido ameaçados com armas de fogo. “Os casos são muito frequentes e aumentam a cada dia”, afirma um dos servidores. “E muitas vezes os agressores estão embriagados ou sob efeito de drogas.”

O Demutran já fez um estudo jurídico e afirma que não há impedimento legal para a medida, desde que sejam usadas armas não letais. Na nota, o serviço explica que a lei determina que “orgãos de segurança pública deverão priorizar a utilização dos instrumentos de menor potencial ofensivo, desde que seu uso não coloque em risco a integridade física ou psíquica dos policiais”. Várias cidades brasileiras já armaram suas equipes.

Porém, apesar de serem consideradas não letais, as pistolas elétricas podem matar se a vítima sofrer de doenças cardíacas ou se a descarga elétrica atingir partes mais sensíveis do corpo.

Risco de vida

A violência contra agentes de trânsito não é exclusividade de Barueri. Nos últimos anos, tem crescido o número de registros de agressões e ameaças. Este ano, dois servidores foram mortos no Pará por motoristas inconformados. Em Cuiabá, foram registrados 100 casos em sete meses. Em Bauru, ficaram conhecidas as imagens de um agente sendo agredido por um motorista que estacionou numa vaga privativa para idosos.

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As pistolas emitem uma corrente elétrica que paralisa a vítima por instantes/Fotos: Divulgação

Em Barueri, não há estatísticas sobre o número de incidentes, mas o próprio Demutran afirma que são frequentes. Os agentes apoiam a iniciativa, mas reivindicam receber o adicional de risco de vida em seus vencimentos, o que a prefeitura não pretende fazer. “Eles alegam que não corremos risco, mas querem nos armar. Isso é uma incoerência”, afirma um dos agentes ouvidos pelo BnR.

Segundo os agentes, a violência aumentou com a lei que autoriza a Guarda Municipal a fazer autuações de trânsito. “A multa chega em nome do Demutran, então isso aumentou a revolta da população contra a gente”, explica um deles. “E o problema é complicado, porque se criou a ideia da ‘indústria da multa’. Então, mesmo que o motorista esteja errado, ele acaba acusando a gente de estar agindo de má-fé.”

Dr Edsom2“Nós ficamos muito vulneráveis, expostos na rua”, explica outro servidor. “Nem colete nós temos e outro dia uma motorista parou do meu lado e disse que o carona de um motoqueiro passou por mim apontando uma arma e fazendo gestos. Eu nem vi.”

Os agentes afirmam que tomam atitudes defensivas para se proteger, como evitar ao máximo a autuação e procurar um entendimento com o infrator. “Nossa primeira atitude é negociar, num estacionamento irregular, por exemplo”, afirma o servidor. “Mas muitos motoristas não deixam a gente nem começar a conversa.”

Por isso, muitos deles admitem neglicenciar o trabalho. “Tem talão de agente com uma multa a cada três meses”, explica. “Além disso, quando recebemos um chamado para atender a uma situação, dependendo de onde for, nem vamos.”

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