Água de Barueri tem 15 agrotóxicos acima do limite tolerável

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Foram encontrados 27 pesticidas na água da cidade e 15 deles estão acima do aceitável pela União Europeia

A água tratada que se consome em Barueri tem 15 agrotóxicos em quantidades superiores aos aceitáveis. A conclusão faz parte de um levantamento feito a partir de dados coletados entre 2014 e 2017 pelo Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) do Ministério da Saúde e compilados pelo portal Repórter Brasil, pela Agência Pública de jornalismo investigativo e pela organização suíça Public Eye.

O Sisagua testa continuamente a qualidade de água oferecida à população. Entre outras análises, ele investiga a presença de 27 agrotóxicos nocivos à saúde humana. Em 1.396 cidades brasileiras foi detectada a presença de todos eles, e Barueri está entre elas. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 16 desses produtos são altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal ou disfunções hormonais e reprodutivas.

De acordo com os padrões brasileiros, que são menos rigorosos, nenhum dos 27 pesticidas encontrados na água do barueriense ultrapassa o limite aceitável. Mas quando se aplicam os critérios da União Europeia, mais rígidos, a conclusão é de que 15 agrotóxicos estão acima do recomendável na cidade. Para efeito de comparação, na vizinha Carapicuíba apenas um dos pesticidas excedeu o padrão da Europa.

Coquetel perigoso

O fato de a maior parte dos produtos aparecer em níveis toleráveis pela legislação brasileira não é garantia de segurança. Pesquisadores consideram que a combinação de elementos, ainda que em pequenas quantidades, pode formar um coquetel altamente nocivo. “Mesmo que um agrotóxico não tenha efeito sobre a saúde humana, ele pode ter quando se mistura com outra substância”, afirmou a química Cassiana Montagner à Agência Pública. Ela realiza pesquisas sobre a contaminação da água no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Outro problema é que uma vez contaminada, há poucos tratamentos conhecidos para purificar a água. Hoje há vários filtros que retém alguns dos pesticidas, mas nenhum consegue eliminar todos. E recorrer à água mineral não é a solução, pois ela vem de outras fontes, mas que são alimentadas pela água que corre na superfície, então também está sujeita à contaminação. Por isso, a solução seria investir num esforço preventivo que impedisse que os agrotóxicos chegue à água tratada.

O estado de São Paulo é o que tem a maior quantidade de municípios em que foram encontrados todos os agrotóxicos. Das 645 cidades paulistas, 504 registraram a presença dos 27 pesticidas, com maior incidência na Região Metropolitana da capital.

Os números do Ministério da Saúde revelam que a contaminação da água aumenta ininterruptamente. Em 2014, foram detectados agrotóxicos em 75% dos testes. No ano seguinte, o número subiu para 84%, em 2016 já era 88% e em 2017 a incidência foi de 92%.

Confira a lista das cidades onde foram realizados os testes